Corregedoria da Polícia Civil prende quatro agentes por extorsão milionária e sequestro institucional

TimeCras
Roberto Farias
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Na Operação Quina, investigadores são acusados de manter um homem como refém dentro de uma DISE para cobrar R$ 1 milhão e evitar suposto flagrante forjado de tráfico de drogas.


São Paulo, 12 de maio de 2026 — A Corregedoria Geral da Polícia Civil de São Paulo, com apoio do Gaeco do Ministério Público Estadual, deflagrou nesta terça-feira a Operação Quina e prendeu quatro policiais civis suspeitos de integrar um esquema de extorsão qualificada e associação criminosa. Os agentes teriam usado a estrutura de uma delegacia especializada para praticar o que as investigações descrevem como um verdadeiro “sequestro institucional”.

Segundo o apurado, em abril deste ano os policiais abordaram um homem e o conduziram, sem qualquer mandado ou justificativa legal, até a Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (DISE) de Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo. Lá, ele teria sido mantido sob ameaça, pressionado a pagar R$ 1 milhão para não ser enquadrado em um flagrante fabricado de tráfico de drogas.

A vítima só conseguiu ser liberada após um familiar entregar R$ 303 mil em dinheiro vivo em uma padaria localizada em Barueri. O restante do valor ainda era cobrado de forma parcelada, com ameaças que persistiam mesmo depois do pagamento inicial. As provas incluem mensagens, áudios e o rastreamento do dinheiro entregue.

Vítima com histórico criminal

Um dos alvos da extorsão é Fábio Oliveira Silva, apontado em investigações anteriores como integrante da quadrilha responsável pelo sequestro da mãe do ex-jogador Robinho, ocorrido em 2004 em Praia Grande, no litoral paulista. O crime, que durou 41 dias, ganhou grande repercussão nacional na época.

Identificados os policiais presos

Os quatro agentes presos temporariamente são:

  • João Ruper Rodrigues
  • Tiago Henrique de Sousa Carvalho
  • Roberto Castelano
  • Diogo Prieto Júnior

Eles atuavam principalmente na DISE de Carapicuíba e no 1º Distrito Policial de Taboão da Serra. Durante as buscas, os investigadores encontraram indícios de patrimônio incompatível com os rendimentos oficiais, incluindo quantias em espécie.

A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 2 milhões em bens dos envolvidos, além de mandados de busca e apreensão nas residências e nas próprias delegacias onde trabalhavam. Celulares, documentos e outros materiais foram recolhidos para análise pericial.

Posicionamento oficial

Em nota, a Corregedoria da Polícia Civil afirmou que a operação reforça o compromisso da instituição com a transparência e o combate a qualquer desvio de conduta. “Não há tolerância com quem utiliza o cargo para praticar crimes”, destacou a corporação.

Especialistas em segurança pública veem o caso como um alerta sobre os riscos de corrupção em unidades de inteligência e investigação, especialmente aquelas que lidam com o combate ao tráfico. A prática de “sequestro institucional” — usar a delegacia como local de pressão — agrava a gravidade dos fatos, pois compromete a própria credibilidade da instituição.

As investigações prosseguem em sigilo e podem identificar outras vítimas ou ramificações do esquema. O Ministério Público deve oferecer denúncia nos próximos dias. As defesas dos policiais ainda não se manifestaram publicamente.


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