Jato Executivo Voa em Círculos por Quase 2 Horas com Pilotos Inconscientes e Cai em Floresta; Os Dois Tripulantes Morreram

TimeCras
Roberto Farias
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La Paz / Cochabamba, 15 de abril de 2026 – Um caso clássico de “voo fantasma” chocou a aviação boliviana nesta segunda-feira (13 de abril). Um jato executivo Cessna Citation 550 Bravo, matrícula CP-3243, decolou do Aeroporto Internacional de El Alto (próximo a La Paz) com destino a Santa Cruz de la Sierra, mas transformou-se em uma tragédia aérea após perder contato com o controle de tráfego aéreo.

Cerca de 30 minutos após a decolagem, a aeronave — que levava apenas o piloto Carlos Fernando Moyano Aguirre e o copiloto Julio César Sardán — parou de responder às chamadas da torre. Em seguida, o jato entrou em um padrão incomum: realizou mais de 20 círculos em altitude de cruzeiro (cerca de 39.000 pés / 11.887 metros) na região de Cochabamba, por quase duas horas.



Os dados do Flightradar24 registraram o comportamento estranho com precisão: o avião manteve órbitas largas e constantes, como se estivesse no piloto automático, sem qualquer sinal de emergência transmitido pela tripulação. Por volta das 10h55 (horário local), a aeronave iniciou uma descida abrupta e desapareceu dos radares. Os destroços foram localizados horas depois em uma área remota de floresta densa no Trópico de Cochabamba, cerca de 115 km a nordeste da cidade.

Tanto o piloto quanto o copiloto foram encontrados sem vida no local do impacto. Não havia passageiros a bordo.

Principal hipótese: despressurização da cabine e hipoxia

As autoridades da Direção Geral de Aeronáutica Civil (DGAC) da Bolívia e investigadores preliminares apontam como causa mais provável uma falha repentina de pressurização da cabine. Em altitudes elevadas, uma despressurização explosiva pode causar hipoxia (falta grave de oxigênio) em questão de segundos, levando à perda de consciência dos tripulantes sem que eles consigam reagir ou colocar as máscaras de oxigênio.

Nesse cenário, o avião continuou voando automaticamente (piloto automático ligado), descrevendo círculos até que o combustível se esgotasse ou o sistema entrasse em modo de descida não controlada — um padrão idêntico ao do famoso “voo fantasma” da Helios Airways 522, na Grécia, em 2005.

Não houve explosão no ar nem sinal de incêndio antes da queda. As buscas envolveram sobrevoos de reconhecimento e equipes terrestres em terreno de difícil acesso.

O que se sabe até agora

  • Aeronave: Cessna Citation 550 Bravo (jato executivo bimotor de pequeno porte)

  • Matrícula: CP-3243

  • Tripulação: Apenas piloto e copiloto (ambos bolivianos e experientes)

  • Rota: El Alto (La Paz) → Santa Cruz de la Sierra

  • Duração do voo fantasma: Aproximadamente 2 horas em círculos

  • Causa suspeita: Despressurização da cabine → hipoxia → incapacitação total da tripulação

A DGAC boliviana e o Ministério Público já iniciaram investigação técnica detalhada, que incluirá análise das caixas-pretas (se forem recuperadas em condições legíveis), manutenção da aeronave, histórico dos pilotos e possível falha no sistema de pressurização.

Especialistas em aviação destacam que casos assim são raros, mas extremamente perigosos, pois o avião continua “vivo” no ar mesmo sem ninguém no comando.

Este trágico incidente reacende o debate sobre protocolos de segurança em voos executivos de alta altitude e a importância dos sistemas de alerta automático de pressurização.



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