Empresário de Brasília Preso em Mega-Ação que Alcançou MC Poze, MC Ryan SP e Dono do Choquei

TimeCras
Roberto Farias
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Brasília, 15 de abril de 2026 – A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira uma das maiores operações contra lavagem de dinheiro dos últimos anos no Brasil. Batizada de Operação Narco Fluxo, a ação mobilizou mais de 200 policiais federais e cumpriu 39 mandados de prisão temporária e 45 mandados de busca e apreensão em nove estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás) e no Distrito Federal.

Volume financeiro investigado

O grupo criminoso é suspeito de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão em recursos de origem ilícita, incluindo dinheiro em espécie, operações bancárias complexas, criptoativos e transações internacionais. Parte desse dinheiro teria origem no tráfico internacional de drogas (inclusive cocaína), jogos de azar e rifas digitais ilegais.

O núcleo brasiliense: Marcus Vinicius Rodrigues de Assis

Entre os 39 alvos de prisão está o empresário brasiliense Marcus Vinicius Rodrigues de Assis, preso diretamente no Distrito Federal. Ele integra o núcleo financeiro da organização e é apontado como um dos responsáveis por articular movimentações que conectavam o capital do crime organizado à rede de entretenimento. Sua prisão reforça a tese da PF de que o esquema possuía ramificações políticas e financeiras na capital federal.

Os famosos presos na mesma operação

  • MC Ryan SP — Preso durante festa de luxo em Bertioga (SP). A PF apreendeu um colar dourado com a imagem de Pablo Escobar. Seu restaurante, Bololô Restaurant & Bar, também entrou na mira como possível ponto de lavagem.
  • MC Poze do Rodo (Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, 27 anos) — Detido em sua residência no Recreio dos Bandeirantes (RJ).
  • Chrys Dias — Empresário e influenciador, sócio de MC Ryan SP. Preso em Itupeva (SP).
  • Raphael Sousa Oliveira (dono da página “Choquei”) — Preso em Goiânia (GO). A página, com mais de 27 milhões de seguidores, é suspeita de atuar como “operador de mídia” do esquema.

Além deles, a operação atingiu empresários ligados às produtoras GR6 Eventos e Love Funk, já citados em investigações anteriores relacionadas ao PCC.

Como funcionava o esquema

Segundo a PF, desdobramento da Operação Narco Bet revelou um modelo sofisticado de lavagem:

  • Uso da indústria fonográfica e de eventos como fachada.
  • Produtoras e managers atuando como “laranjas”.
  • Criptomoedas e transações internacionais para evasão de divisas.
  • Influenciadores e páginas de grande alcance para promover artistas e eventos.
  • Empresas de fachada, restaurantes e imóveis de luxo para justificar patrimônio.

Crimes investigados

  • Associação criminosa
  • Lavagem de dinheiro
  • Evasão de divisas
  • Delitos conexos ao tráfico de drogas

A Justiça Federal de Santos (5ª Vara) determinou bloqueio de contas, sequestro de bens e restrições societárias, com valores que podem chegar a R$ 2,2 bilhões.

Impacto e repercussão

A prisão simultânea de artistas com milhões de seguidores expõe como o crime organizado se infiltrou no showbusiness digital brasileiro. O funk, gênero que nasceu nas periferias e se tornou um dos mais consumidos do país, agora vê seus maiores expoentes questionados por supostamente servirem de vitrine para o dinheiro do tráfico.

A Operação Narco Fluxo não é apenas uma ação policial — é um alerta sobre a vulnerabilidade do entretenimento brasileiro ao capital ilícito.


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