Mascate, Omã — Estados Unidos e Irã abriram nesta sexta-feira (6) uma nova rodada de negociações indiretas sobre o programa nuclear iraniano, em meio a um cenário de forte tensão militar e diplomática. O encontro, mediado pelo chanceler omanita Badr al-Busaidi, representa o primeiro contato oficial entre as duas nações desde os ataques aéreos conjuntos de Israel e EUA contra instalações nucleares iranianas em junho de 2025, durante um conflito de 12 dias que abalou toda a região.
A delegação iraniana é liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, que desembarcou em Mascate na véspera e já manteve consultas bilaterais com o governo anfitrião. Do lado americano, participam o enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, atuando como emissário informal.
Divergências de Agenda
Teerã insiste em restringir o diálogo ao programa nuclear — que afirma ter caráter exclusivamente pacífico — e ao levantamento das sanções econômicas impostas por Washington. O Irã apresentou, por meio da mediação omanita, um plano preliminar para reduzir tensões e avançar nas tratativas.
Os Estados Unidos, porém, exigem uma “capacidade nuclear zero” para o Irã, incluindo congelamento imediato das atividades de enriquecimento de urânio, descarte de estoques existentes e inspeções rigorosas. Além disso, autoridades americanas, como o secretário de Estado Marco Rubio, sinalizaram que pretendem ampliar a pauta para incluir o programa de mísseis balísticos iranianos, o apoio a grupos armados regionais e até questões internas relacionadas à repressão de protestos.
Contexto Militar
As conversas ocorrem em paralelo a um acúmulo expressivo de forças americanas no Golfo Pérsico, com porta-aviões, caças F-15, drones MQ-9 Reaper e aeronaves de apoio posicionados na região. O presidente Trump reiterou que prefere uma solução diplomática, mas não descarta “opções militares” caso as negociações fracassem.
Do lado iraniano, o regime enfrenta fragilidade interna após meses de protestos reprimidos com violência e os danos causados aos sítios nucleares em 2025. Autoridades de Teerã afirmam participar “de boa-fé”, mas lembram que têm “memória sólida” das ações passadas, defendendo soberania e dignidade nacional.
Perspectivas e Riscos
Diplomatas avaliam que as chances de avanços concretos nesta rodada inicial são limitadas, dada a profundidade das divergências sobre a própria agenda. O objetivo imediato seria evitar colapso das conversas e criar um quadro para futuras rodadas, possivelmente ainda em Mascate.
Um eventual fracasso poderia reacender o risco de confronto direto, com impactos graves no fornecimento global de petróleo e na estabilidade do Oriente Médio. Omã, tradicional mediador neutro, reafirmou seu compromisso em facilitar um diálogo que garanta “segurança e estabilidade sustentáveis” na região.
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