Em apenas 48 horas, Turquia registra dois tiroteios em escolas e desperta alerta sobre violência armada juvenil

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Roberto Farias
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Kahramanmaraş, Turquia – 15 de abril de 2026 Um adolescente de 14 anos invadiu uma escola secundária no sul da Turquia nesta quarta-feira e abriu fogo em salas de aula, matando um professor e três colegas. Outras 20 pessoas ficaram feridas, quatro delas em estado grave. O atirador se suicidou em seguida, encerrando o episódio de terror que durou poucos minutos.

O ataque aconteceu na Escola Secundária Ayser Çalık, no distrito de Onikişubat, em Kahramanmaraş. Segundo o governador da província, Mükerrem Ünlüer, o estudante chegou à escola carregando uma mochila com cinco armas de fogo e vários carregadores — todas pertencentes ao seu pai, um ex-policial. Ele entrou em pelo menos duas salas e disparou de forma aleatória contra alunos e o professor presente.

As autoridades confirmaram que as quatro vítimas fatais são três estudantes e um educador. O pai do adolescente foi detido imediatamente para prestar depoimento. Até o momento, não há informações oficiais sobre possíveis motivações — se bullying, problemas familiares ou outros fatores pessoais.

O segundo ataque em menos de dois dias O caso de hoje chama ainda mais atenção porque é o segundo tiroteio em escola na Turquia em apenas 48 horas. Na terça-feira (14 de abril), um ex-aluno de 18 anos invadiu uma escola profissionalizante em Siverek, na província vizinha de Şanlıurfa. Armado com uma espingarda, ele feriu 16 pessoas — entre estudantes, professores, um funcionário e um policial — antes de tirar a própria vida.

Até esta semana, ataques armados dentro de escolas eram considerados raros na Turquia, um país mais acostumado a lidar com atentados terroristas de grupos como o PKK ou resquícios do ISIS. Diferente dos Estados Unidos, onde tiroteios em massa em ambientes escolares infelizmente se repetem com frequência, a sociedade turca via esse tipo de violência como algo distante.

Agora, em menos de dois dias, o país enfrenta uma sequência inédita de tragédias que coloca em xeque o controle de armas dentro de casa, especialmente quando há policiais ou ex-policiais na família. O fácil acesso a armamento funcional por parte de um adolescente levanta questionamentos sobre segurança familiar e prevenção de violência juvenil.

Imagens que circulam mostram o pátio da escola tomado por ambulâncias, equipes de resgate e policiais. Pais desesperados se aglomeravam do lado de fora enquanto alunos eram evacuados. O Ministério da Educação e as autoridades de segurança ainda não divulgaram medidas concretas, mas o impacto emocional já se espalha pelo país.

A investigação sobre o ataque de Kahramanmaraş segue em sigilo parcial. As prioridades no momento são o tratamento dos feridos, o apoio psicológico às famílias das vítimas e a apuração de como o adolescente conseguiu transportar e usar tantas armas sem ser notado antes de entrar na escola.

A Turquia vive um momento de tensão regional, mas esses dois episódios parecem ter origem interna e individual, não vinculados a organizações terroristas. Ainda assim, a repetição rápida acende um alerta: a violência armada nas escolas pode estar deixando de ser exceção para se tornar uma preocupação real.


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