Presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, eleva o tom após Donald Trump rejeitar a contraproposta de Teerã enviada via mediação paquistanesa.
Teerã
Em meio ao impasse diplomático que ameaça a frágil trégua no Golfo Pérsico, o Irã adotou tom mais duro nesta segunda-feira (11). O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que as Forças Armadas do país estão totalmente preparadas para dar uma “resposta exemplar” a qualquer nova agressão e garantiu que os Estados Unidos “ficarão surpresos” com a magnitude da retaliação.
Em mensagem publicada no X (antigo Twitter), Ghalibaf escreveu:
“Nossas Forças Armadas estão prontas para dar uma resposta exemplar a qualquer agressão. Estratégia errada e decisões erradas sempre levam a resultados errados. Eles ficarão surpresos”.
Impasse nas negociações
Segundo fontes próximas às conversas, o documento iraniano pedia o fim imediato de todas as hostilidades — incluindo as frentes no Líbano —, o levantamento do bloqueio naval imposto pelos EUA no Estreito de Ormuz, garantias de segurança contra novos ataques e o alívio de parte das sanções econômicas que limitam a exportação de petróleo iraniano.
O presidente Donald Trump classificou a contraproposta como “totalmente inaceitável”, sem entrar em detalhes sobre os pontos de discordância. A recusa americana frustrou a expectativa iraniana de avanços concretos na mediação paquistanesa, que vinha sendo considerada uma das poucas vias ainda abertas de diálogo.
Capacidade militar e estratégia iraniana
Ghalibaf, figura de peso do campo conservador e com forte ligação com a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), tem atuado como um dos principais interlocutores de Teerã nas rodadas recentes. Sua mensagem de hoje cumpre dupla função: sinalizar firmeza para a opinião pública interna e reforçar a dissuasão externa.
O Irã tem repetidamente enfatizado sua doutrina de “resposta assimétrica”. O arsenal inclui mísseis balísticos de médio e longo alcance, drones de ataque kamikaze avançados, capacidade de minagem do Estreito de Ormuz e uma rede de grupos aliados na região (Hezbollah, milícias iraquianas e houthis no Iêmen).
Analistas consultados pela Timecras destacam que, embora o Irã tenha sofrido perdas em confrontos anteriores, ainda mantém capacidade significativa de perturbar o fluxo de petróleo mundial e atingir alvos americanos na região. Uma nova escalada total, porém, seria extremamente custosa para ambos os lados.
Riscos no Estreito de Ormuz
O estreito, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial, continua sendo o principal ponto de vulnerabilidade. Nas últimas semanas, houve relatos de ataques a navios comerciais, restrições de tráfego e movimentações navais americanas na área. Qualquer interrupção prolongada poderia provocar forte alta nos preços globais de petróleo e impactos inflacionários em economias da Europa e Ásia.
Até o momento, não há indícios de movimentações militares imediatas de grande escala, mas o nível de alerta permanece elevado nos dois lados.
Diplomatas paquistaneses indicaram que tentam marcar nova rodada de conversas indiretas nos próximos dias, mas o sucesso dependerá da disposição de Washington e Teerã para fazer concessões mútuas.
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