Delegados da Polícia Federal aprovam paralisação de 82 horas e intensificam pressão por fundo de combate ao crime organizado

TimeCras
Roberto Farias
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Brasília, 24 de março de 2026 – Os delegados da Polícia Federal (PF) decidiram endurecer o tom em sua mobilização por mais recursos contra o crime organizado. Com aprovação de 94,9% dos votos, a categoria aprovou o movimento denominado “82 horas sem a PF”, que prevê a suspensão parcial das atividades da instituição a partir desta quarta-feira (25) até o sábado (28), data em que a corporação completa 82 anos de existência.

A deliberação ocorreu durante Assembleia Geral Extraordinária realizada no dia 20 de março, com a participação de 1.045 delegados associados à Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF). O movimento já vinha sendo preparado desde o início do mês, com a suspensão de despachos em inquéritos e novas operações, mas agora ganha contornos mais amplos.

Serviços mantidos e interrompidos

Durante o período de paralisação, os delegados manterão apenas os atendimentos considerados essenciais:

  • Registro de flagrantes
  • Situações de risco iminente à vida
  • Casos de grave ameaça à pessoa

Já operações policiais preventivas, despachos rotineiros de investigações (exceto aquelas envolvendo autoridades com foro privilegiado) e a maior parte dos serviços administrativos serão interrompidos.

Entre os serviços que devem sofrer maior impacto estão:

  • Emissão e renovação de passaportes
  • Processamento de registros de armas para colecionadores, atiradores e caçadores (CACs)
  • Análises administrativas de processos não emergenciais

Reivindicação central

A principal demanda da categoria é o envio urgente ao Congresso Nacional de uma medida provisória ou projeto de lei que crie o Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC). O fundo buscaria direcionar bilhões de reais em bens, valores e recursos apreendidos em operações policiais para o fortalecimento da segurança pública, incluindo modernização de equipamentos, capacitação e incentivos à atividade policial.

“Sem avanços concretos nas negociações, a categoria não vê motivo para recuar. O crime organizado não tira férias, e a PF não pode continuar operando com orçamento restrito enquanto recursos bilionários apreendidos não são revertidos em benefício da própria investigação e repressão”, declarou o presidente da ADPF, Edvandir Felix de Paiva.

Reação do governo

O Palácio do Planalto e o Ministério da Justiça ainda não se manifestaram oficialmente sobre a nova fase do movimento. Fontes próximas às negociações indicam que diálogos continuam em curso, mas a ausência de encaminhamento concreto do FUNCOC até o momento mantém a categoria mobilizada.

A ADPF reforça que permanece aberta ao diálogo, desde que haja compromisso efetivo com a criação do fundo, considerado essencial para dar sustentabilidade financeira ao combate às facções criminosas que atuam em âmbito nacional e internacional.


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