Los Angeles, 25 de março de 2026 – Em um veredicto que pode redefinir a responsabilidade das big techs pela saúde mental de milhões de jovens, um júri de Los Angeles declarou que Meta e Google (YouTube) foram negligentes ao projetar intencionalmente recursos viciantes em suas plataformas.
As empresas foram condenadas a pagar US$ 3 milhões em danos compensatórios a uma jovem de 20 anos que alegou ter desenvolvido dependência grave desde a infância.
O caso
- Este julgamento é o primeiro “bellwether” (teste) de mais de 1.600 processos semelhantes consolidados na Califórnia.
- O modelo de negócio das redes sociais foi colocado no banco dos réus: algoritmos projetados para maximizar tempo de tela, rolagem infinita, notificações push e autoplay de vídeos.
- O júri entendeu que essas ferramentas não foram acidentais, mas sim estratégias de engenharia comportamental, comparáveis às usadas em cassinos.
- A autora, identificada como Kaley (K.G.M.), relatou passar até 16 horas por dia no Instagram, o que agravou depressão, pensamentos suicidas e isolamento social.
- Meta foi considerada responsável por 70% dos danos e YouTube por 30%.
Provas apresentadas
- Documentos internos mostraram que executivos das duas companhias receberam alertas de seus próprios pesquisadores sobre os impactos na saúde mental de adolescentes.
- Mesmo assim, optaram por manter os recursos que mais geram engajamento e receita publicitária.
- Um ex-executivo do Facebook já havia admitido publicamente que a rede foi criada para “explorar vulnerabilidades psicológicas humanas”.
Deliberação do júri
- O julgamento durou mais de oito dias de deliberações, com impasses e notas enviadas ao juiz Carolyn B. Kuhl.
- Os 12 jurados chegaram ao consenso de que Meta e YouTube sabiam ou deviam saber que suas plataformas eram perigosas para menores e falharam em alertar famílias e usuários.
- O valor de US$ 3 milhões é apenas a fase compensatória; ainda será decidido se haverá danos punitivos, que podem multiplicar o montante com base no patrimônio das empresas.
Repercussão internacional
- Dias antes, no Novo México, outro júri condenou o Meta a pagar US$ 375 milhões por práticas que colocam menores em risco.
- Juntos, os dois casos sinalizam uma mudança de paradigma. Advogados e procuradores-gerais de vários estados americanos veem neles um “momento cigarro” para as redes sociais, comparando à responsabilização da indústria do tabaco.
- No Brasil, onde o uso excessivo de redes sociais entre adolescentes é alarmante (mais de 60% dos jovens entre 13 e 17 anos relatam uso diário superior a 3 horas, segundo IBGE e OMS), entidades como o Instituto Defesa Coletiva já movem ações civis públicas contra Meta, TikTok e Kwai.
Reações das empresas
- Meta: afirmou que “investe bilhões em segurança” e que respeita o veredicto, mas discorda da decisão.
- Google: não se manifestou imediatamente.
- Ambas declararam que vão recorrer.
Voz da autora
Para Kaley, o resultado não é apenas financeiro:
“Espero que isso faça as empresas mudarem de verdade”, disse ela após o anúncio.
Próximos passos
- O julgamento entrará na fase de definição de danos punitivos, que podem elevar significativamente o valor da indenização.
- O veredicto abre caminho para mais de 2 mil processos pendentes e aumenta a pressão sobre o Congresso americano para legislar sobre idade mínima, algoritmos e transparência.
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