Após semanas em alto-mar e impasse internacional, o cruzeiro holandês ancorado em Granadilla de Abona inicia evacuação controlada de passageiros; Espanha coordena repatriamento com protocolos rigorosos de biossegurança.
10 de maio de 2026
Chegada a Tenerife
Tenerife, Ilhas Canárias – O navio de expedição MV Hondius, operado pela empresa holandesa Oceanwide Expeditions, chegou nas primeiras horas desta manhã ao porto industrial de Granadilla de Abona, no sul de Tenerife. A embarcação, que partiu de Ushuaia (Argentina) em 1º de abril para uma viagem que incluía a Antártida e travessia do Atlântico, traz a bordo um surto confirmado de hantavírus cepa Andes — a única variante conhecida com transmissão limitada de pessoa para pessoa.
Operação inédita
O desembarque começou de forma gradual e altamente controlada por volta das 8h (horário local), com os primeiros grupos — prioritariamente passageiros espanhóis — sendo transferidos por pequenas embarcações até uma zona isolada do porto. De lá, foram levados diretamente para o aeroporto de Tenerife Sul, sob escolta, com destino a instalações médicas na Península Ibérica.
A operação, descrita pelas autoridades espanholas como “inédita”, envolve o Ministério da Saúde, a Unidade Militar de Emergências (UME), a Guardia Civil e a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Um surto que atravessou oceanos
Até o momento, as autoridades confirmam seis casos de hantavírus entre os oito suspeitos identificados a bordo, com três mortes registradas. As vítimas incluem um casal holandês e uma mulher alemã. Outros passageiros infectados foram evacuados anteriormente e tratados em hospitais na África do Sul, Suíça, Alemanha e Países Baixos.
A cepa Andes, comum na América do Sul, diferencia-se de outras variantes do hantavírus por sua capacidade de transmissão interpessoal em ambientes fechados — o que explica o contágio em um navio de expedição com cerca de 147 pessoas de múltiplas nacionalidades.
Impasse diplomático
O navio permaneceu em quarentena ao largo de Cabo Verde após as primeiras mortes. A recusa inicial das autoridades locais e a posterior negativa parcial das Canárias geraram um impasse diplomático. O governo central espanhol, em Madri, interveio por razões humanitárias e de saúde pública internacional, autorizando a operação apesar da oposição do presidente regional Fernando Clavijo.
Manifestações de moradores em Tenerife refletiram o temor de exposição, embora as autoridades garantam isolamento total e risco baixo para a população local.
Protocolos rigorosos e coordenação internacional
A ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, acompanhou de perto a chegada e garantiu que “o mecanismo está funcionando com toda normalidade e todas as medidas de segurança”. Passageiros e tripulantes assintomáticos passam por triagem médica a bordo antes do desembarque.
A evacuação completa está prevista para concluir até segunda-feira (11). Parte da tripulação deve permanecer a bordo, e o navio seguirá posteriormente para os Países Baixos após desinfecção.
A OMS reforça que o risco ao público em geral permanece baixo e não se trata do início de uma pandemia.
Lições para o setor de cruzeiros
Navios de cruzeiro e expedição, por sua natureza confinada, são ambientes vulneráveis a surtos — como já visto com norovírus e, mais recentemente, Covid-19.
O caso do MV Hondius destaca os desafios de rotas remotas, onde o acesso a assistência médica rápida é limitado e a identificação precoce de patógenos zoonóticos se torna crítica.
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