Investigação internacional revela que o Departamento 4 da Bauman MSTU funciona como núcleo oculto de formação de agentes cibernéticos, preparando jovens para operações de invasão digital, criação de malwares e manipulação da opinião pública.
TimeCras – 10 de maio de 2026
O bastidor da Bauman
Em Moscou, enquanto Vladimir Putin exaltava os feitos da Universidade Técnica Estatal Bauman, considerada uma das mais prestigiadas instituições de engenharia da Rússia, um setor discreto do campus operava longe dos holofotes.
Chamado de Departamento 4 ou “Formação Especial”, esse núcleo é descrito como uma verdadeira escola de quadros para o GRU, o serviço de inteligência militar russo.
Documentos revelam a engrenagem
Uma apuração conjunta de veículos como The Guardian, Der Spiegel, Le Monde, The Insider, Delfi e VSquare analisou mais de 2.000 arquivos internos e trouxe à tona a existência desse programa secreto.
As evidências apontam para uma ligação direta entre a universidade e as unidades cibernéticas mais agressivas do Kremlin.
Treinamento em guerra híbrida
Instalado no Centro de Formação Militar da Bauman, o Departamento 4 oferece cursos altamente especializados. Entre eles, o de Serviço de Reconhecimento Especial (código 093400), voltado para:
- Desenvolvimento e aplicação de vírus e malwares
- Invasão de redes e servidores estrangeiros
- Exploração de falhas em sistemas digitais
- Operações de guerra eletrônica e interceptação de sinais
- Técnicas avançadas de desinformação e propaganda encoberta
A docência é conduzida por oficiais ativos do GRU, que também controlam todo o processo de seleção, avaliação e encaminhamento dos formados para unidades operacionais.
Destino dos graduados
Os alunos que passam pelo programa são frequentemente alocados em grupos conhecidos internacionalmente, como:
- Unidade 26165 (Fancy Bear)
- Unidade 74455 (Sandworm)
Essas células já foram responsabilizadas por ataques contra governos, parlamentos, sistemas críticos e processos eleitorais em diversos países.
A “Hogwarts” dos espiões
A Bauman, muitas vezes comparada ao MIT russo, combina ensino público de excelência em engenharia e tecnologia com esse braço secreto.
Segundo os documentos, entre 10 e 15 estudantes por ano são encaminhados diretamente ao GRU após a formatura. Um caso citado é o de Daniil Porshin, que concluiu o curso em 2024 e foi incorporado à Unidade 26165.
Impacto e silêncio oficial
Nem a universidade nem o governo russo comentaram até agora as denúncias. Observadores destacam que a Bauman sempre manteve vínculos estreitos com as Forças Armadas, mas o nível de integração revelado surpreendeu até especialistas em segurança.
Analistas de cibersegurança interpretam o programa como parte de uma estratégia de longo prazo da Rússia para consolidar vantagem na guerra tecnológica e informacional.
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