Lukashenko reage a alerta ucraniano e ameaça atacar “alvo muito sério” na Ucrânia

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Roberto Farias
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Minsk, 31 de maio de 2026 — A troca de ameaças entre Minsk e Kiev ganhou novo tom nesta semana. Após o comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, Robert “Madyar” Brovdi, declarar que a Ucrânia já identificou os primeiros 500 alvos em território bielorrusso, o presidente Aleksandr Lukashenko rebateu com dureza e prometeu uma resposta contundente.

Em declaração recente, Lukashenko afirmou que a Bielorrússia possui informações precisas sobre alvos do outro lado da fronteira e ameaçou atacar um “alvo muito sério” na Ucrânia. Ele desqualificou as forças ucranianas, descrevendo-as como “carne de canhão” formada por civis recrutados nas ruas — trabalhadores, mecânicos e camponeses — e questionou sua capacidade real de combate.

“Ele, veja, vê 500 alvos — provavelmente, se não for cego, verá ainda mais — mas ele deve entender que nós vemos quem está do outro lado da fronteira”, disse Lukashenko, segundo relatos de sua fala.

Da escalada

A declaração de Brovdi, divulgada no final de maio, surgiu em resposta a acusações bielorrussas de supostas violações de espaço aéreo por drones ucranianos. O comandante ucraniano, responsável por uma das unidades mais ativas no uso de sistemas não tripulados, enviou um recado direto: “Os primeiros 500 alvos já foram identificados. Um conselho gratuito e bem prático: não se metam no caminho da Ucrânia”.

Lukashenko, aliado próximo de Vladimir Putin, tem usado o território bielorrusso para apoiar logisticamente a Rússia desde o início da invasão em 2022, inclusive permitindo o lançamento de mísseis e o treinamento de tropas. No entanto, evitou até o momento o envio de tropas terrestres bielorrussas em grande escala para o front.

Analistas observam que as ameaças de Minsk fazem parte de uma estratégia de dissuasão, buscando impedir qualquer operação ucraniana preventiva contra bases ou depósitos na Bielorrússia. Ao mesmo tempo, servem para reforçar a lealdade ao Kremlin em um momento em que a Rússia intensifica operações no leste da Ucrânia.

Realidade no terreno

Apesar da retórica inflamada, não há indicações concretas de mobilização iminente de tropas bielorrussas para uma ofensiva terrestre. A fronteira norte da Ucrânia permanece relativamente estável, embora com constante tensão. Kiev mantém fortificações e unidades de vigilância reforçadas na região, enquanto Minsk realiza exercícios periódicos com as forças russas.

A Bielorrússia, com cerca de 9 milhões de habitantes, possui um exército profissional limitado, dependendo fortemente do apoio russo. Especialistas em segurança europeia avaliam que um envolvimento direto de Minsk poderia abrir um novo flanco, mas também exporia o regime de Lukashenko a riscos internos e sanções ainda mais severas.

Do lado ucraniano, o foco em drones de longo alcance reflete a estratégia assimétrica adotada para compensar a superioridade numérica russa. Brovdi comanda forças especializadas que já demonstraram capacidade de atingir alvos profundos em território inimigo.

Conclusão

Esta troca de declarações ocorre em um contexto mais amplo de guerra de desgaste, onde ambos os lados buscam ganhar vantagem psicológica e dissuasória sem necessariamente escalar para um confronto aberto na fronteira norte — pelo menos por enquanto.


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