Secretário de Estado Marco Rubio reage à criação da Persian Gulf Strait Authority pelo regime iraniano, que busca autorizar e cobrar pelo trânsito de navios na rota estratégica do petróleo.
Washington – O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, considerou “inaceitável” e ilegal a iniciativa do Irã de criar uma agência governamental para controlar o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. A declaração foi feita nesta semana, após relatórios confirmarem que Teerã avançou na instituição de um órgão destinado a vetar, autorizar e potencialmente cobrar pedágios de navios que desejam cruzar a via navegável.
Segundo Rubio, o Irã não pode ser autorizado a “normalizar” o controle sobre uma rota internacional de tamanha relevância, transformando uma restrição imposta durante o conflito em um mecanismo permanente de extorsão. “Isto é, de facto, inaceitável”, reforçou o secretário, em linha com a posição americana de que nenhuma nação tem o direito de ditar quem pode utilizar águas internacionais estratégicas.
Desde o agravamento do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, no início de 2026, a passagem tem sido fortemente restringida, gerando uma das maiores crises logísticas e energéticas dos últimos anos, com centenas de navios e cerca de 20 mil tripulantes civis retidos na região.
Nova agência iraniana
Relatórios de empresas de inteligência marítima, como a Lloyd’s List Intelligence, confirmam que o Irã estabeleceu a Persian Gulf Strait Authority (Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico). O órgão se apresenta como a única autoridade competente para conceder permissões de trânsito, enviando regulamentações por e-mail aos armadores e impondo condições — inclusive financeiras — para a passagem.
Os Estados Unidos respondem a essa medida por meio da operação Project Freedom, uma ação de caráter defensivo destinada a escoltar navios comerciais de forma segura. Embora a operação tenha sido pausada temporariamente por Donald Trump para priorizar negociações de paz, Washington mantém o posicionamento firme de que não aceitará o controle iraniano sobre a rota.
Rubio tem enfatizado que as ações americanas visam proteger o comércio global e evitar que o regime iraniano transforme o estreito em instrumento de chantagem econômica, especialmente diante de relatos de cobranças milionárias para a liberação de navios.
Contexto mais amplo
A tensão ocorre enquanto os dois países avaliam propostas para um possível acordo de cessar-fogo. Apesar de sinais de diálogo indireto, o controle do Estreito de Ormuz permanece como um dos principais pontos de atrito. O Irã vê a via como instrumento legítimo de defesa de sua soberania, enquanto os EUA e aliados defendem o princípio da liberdade de navegação previsto no direito internacional.
Especialistas alertam que a manutenção do bloqueio ou a imposição de um regime de autorizações pode prolongar a alta nos preços do petróleo e agravar a situação humanitária dos tripulantes retidos, que enfrentam escassez de suprimentos e riscos à saúde.
Até o momento, o governo iraniano não apresentou resposta direta à declaração mais recente de Marco Rubio.
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