EUA e Rússia caminham para nova era de rivalidade aberta

TimeCras
Roberto Farias
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Washington/Moscou, 22 de março de 2026 

Enquanto o conflito no Oriente Médio completa 23 dias, as relações entre Estados Unidos e Rússia atingem o ponto mais baixo desde o início da invasão da Ucrânia em 2022. O que começou como divergências pontuais evoluiu para um confronto diplomático, de inteligência e energético que ameaça redefinir o equilíbrio global de poder.

Apoio russo ao Irã

A administração Trump acusou publicamente o Kremlin de fornecer “inteligência por satélite e táticas avançadas” ao Irã, incluindo coordenadas para os recentes ataques de mísseis balísticos contra Dimona e Arad.
Em entrevista coletiva na Casa Branca, o secretário de Defesa Pete Hegseth afirmou:

“Putin está ajudando um pouco o regime iraniano, da mesma forma que nós ajudamos a Ucrânia.”

A resposta russa foi imediata e dura: Dmitry Peskov classificou a declaração como “provocação irresponsável” e reiterou que Moscou considera o Irã “parceiro estratégico confiável”.

Ciclo de cooperação

Fontes da inteligência americana e europeia confirmam que a Rússia compartilhou dados de satélite com a IRGC, ajudando Teerã a identificar brechas nas defesas israelenses e americanas.
Em troca, o Irã teria intensificado o fornecimento de drones Shahed-136 à Rússia para uso na Ucrânia — um ciclo de cooperação que Washington tenta romper.

A proposta recusada

Em negociações secretas, a Rússia ofereceu suspender o compartilhamento de inteligência com o Irã em troca de os EUA reduzirem o apoio militar à Ucrânia.
A proposta foi rejeitada por Trump:

“Não fazemos barganhas com a soberania de nações aliadas.”

O Kremlin interpretou a recusa como sinal de que Washington não deseja desescalada em nenhum front.

Ucrânia em segundo plano

As conversas trilaterais para um cessar-fogo na Ucrânia estão agora em “pausa situacional”, segundo Steve Witkoff.
Enquanto os EUA concentram recursos no Golfo, a Rússia reforça posições no Donbas.
Zelensky criticou a “distração americana” e cobrou garantias de segurança mais robustas.

O bônus energético russo

O fechamento parcial do Estreito de Ormuz fez o Brent ultrapassar US$ 112 nesta semana.
As receitas russas com exportações de óleo e gás sobem mesmo sob sanções, enquanto Europa e Ásia pagam o preço da instabilidade.
Analistas alertam que Putin usa esse “dividendo da guerra” para financiar o esforço ucraniano e fortalecer laços com China, Irã e Coreia do Norte.

Diálogo frio

A ligação telefônica entre Trump e Putin em 9 de março foi descrita pelo Kremlin como “construtiva”, mas por fontes americanas como “franca e sem avanços”.
Nenhum dos lados demonstra vontade de confronto militar direto, mas o risco de incidentes inadvertidos cresce.

Análise

Michael Kofman (Carnegie Endowment) avalia:

“Não é mais apenas Ucrânia ou Irã. É um jogo de poder global onde cada lado testa os limites do outro sem cruzar a linha vermelha — por enquanto.”

 

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