“Escalada nuclear na Ucrânia”: Rússia representa maior risco aos EUA por espiral de confronto direto

TimeCras
Roberto Farias
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Washington, 18 de março de 2026 – A Diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, Tulsi Gabbard, emitiu um alerta contundente nesta quarta-feira durante audiência no Comitê de Inteligência do Senado: a ameaça mais grave da Rússia aos Estados Unidos não vem de uma suposta capacidade de conquistar a Ucrânia ou a Europa, mas do risco de uma “escalada espiral” no conflito em curso que pode desembocar em confronto direto entre potências nucleares.

“A ameaça mais perigosa representada pela Rússia aos EUA é o potencial de uma espiral crescente num conflito em curso como o da Ucrânia… que poderia levar a hostilidades diretas, incluindo o uso potencial de armas nucleares”, declarou Gabbard, conforme transcrição da sessão transmitida ao vivo e confirmada por agências como Reuters e C-SPAN.

A declaração veio no momento em que Gabbard apresentava o Relatório Anual de Ameaças Globais da comunidade de inteligência americana. Diferentemente de avaliações de administrações anteriores, que pintavam a Rússia como adversário existencial pronto para invadir o continente europeu, a chefe da inteligência sob o governo Trump classificou Moscou como “um competidor formidável”, destacando seu enorme arsenal nuclear — o maior do mundo — e a atualização da doutrina nuclear russa em 2024, que ampliou as condições para o emprego de armas atômicas.

O cerne do alerta: o risco da espiral

Gabbard explicou que a verdadeira vulnerabilidade americana reside na possibilidade de um “erro de cálculo” no apoio ocidental à Ucrânia — seja por envio de armas de longo alcance, inteligência em tempo real ou treinamento direto. Esse apoio, combinado com a resiliência russa demonstrada no campo de batalha e na economia de guerra, poderia empurrar o Kremlin a cruzar linhas vermelhas, transformando o conflito proxy em hostilidades diretas entre EUA e Rússia.

“Continuar a guerra perpetua riscos estratégicos de escalada não intencional para um conflito em grande escala e o potencial uso de armas nucleares”, alertou Gabbard.

Ela lembrou que a Rússia mantém a “mão superior” na guerra de atrito contra Kiev e só deve aceitar um acordo de paz quando considerar seus objetivos alcançados.

Contexto e contraste com visões anteriores

A posição de Gabbard contrasta fortemente com a retórica da era Biden, que via a Ucrânia como linha de frente contra uma Rússia expansionista. Como ex-congressista e candidata presidencial, Gabbard já criticava a política de “guerra por procuração” que, segundo ela, colocava o mundo “mais perto do abismo nuclear do que nunca”. Agora, como DNI, ela leva essa visão para o coração da inteligência americana, alinhando-se à estratégia de Trump de forçar negociações diretas entre Moscou e Kiev.

Especialistas ouvidos por veículos como The New York Times e The Hill observam que o alerta de Gabbard serve duplo propósito: reconhecer o poderio nuclear russo (com novas capacidades como satélites anti-satélite nucleares) enquanto desarma argumentos que justificariam mais bilhões em ajuda militar à Ucrânia ou confronto direto.

A audiência ocorreu em meio a tensões crescentes no Oriente Médio e a negociações em curso mediadas pelos EUA na Ucrânia. Gabbard não deu prazo para um acordo, mas deixou claro que qualquer prolongamento da guerra aumenta exponencialmente o risco nuclear — um cenário que ela já comparou ao “Armagedom” em discursos anteriores.


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