Ataque a petroleiro no Estreito de Ormuz em meio a escalada no Golfo

TimeCras
Roberto Farias
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O petroleiro Skylight, de bandeira de Palau e com capacidade para cerca de 11 mil toneladas de porte bruto (DWT), foi atingido hoje por um ataque não identificado ao largo da costa norte de Omã, próximo à entrada do Estreito de Ormuz. O incidente, confirmado pelo Centro de Segurança Marítima de Omã, resultou em incêndio intenso a bordo, evacuação total da tripulação e ferimentos em quatro tripulantes, elevando dramaticamente os riscos na rota marítima que transporta cerca de 20% do petróleo e uma fatia significativa do gás natural liquefeito consumidos no mundo.



O navio, ancorado na região desde 22 de fevereiro, foi alvejado a aproximadamente 5 milhas náuticas (cerca de 9 km) ao norte do porto de Khasab, na península de Musandam — uma área sob soberania omanita, mas estrategicamente próxima das águas iranianas. A tripulação, composta por 20 pessoas (15 indianos e 5 iranianos), foi resgatada com sucesso pelas autoridades locais e transferida para atendimento médico. As lesões variam de leves a moderadas, sem relatos de óbitos até o momento.


Imagens e vídeos que circulam em redes sociais e agências internacionais mostram colunas densas de fumaça preta subindo do casco, com chamas visíveis na popa e na área de máquinas — indícios típicos de impacto em compartimentos de combustível ou motor. O fogo parece concentrado na seção traseira, o que sugere dano localizado, mas o risco de afundamento ou vazamento permanece elevado.


O Skylight integra a chamada “frota sombra” iraniana, uma rede de navios usados para contornar sanções ocidentais e exportar petróleo de Teerã. Em dezembro de 2025, o Departamento do Tesouro dos EUA sancionou o navio e sua gestora, a Red Sea Ship Management, por envolvimento no transporte ilícito de produtos iranianos. Paradoxalmente, fontes apontam que o ataque pode ter sido executado pelas próprias forças iranianas — possivelmente por engano, ao considerar o navio em violação ao bloqueio anunciado por Teerã, ou como demonstração de força para reforçar o controle sobre o estreito.


O incidente ocorre no segundo dia de intensas trocas de fogo no Golfo, após ataques aéreos de Israel e Estados Unidos em Teerã (que resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei) e respostas iranianas contra alvos regionais. Grandes armadoras, incluindo a Maersk, anunciaram suspensão imediata de tráfego pelo Estreito de Ormuz, enquanto centenas de navios — de petroleiros a graneleiros e contêineres — permanecem ancorados ou em rota alternativa, aguardando garantias de segurança.


Especialistas em geopolítica energética alertam para um efeito cascata: uma interrupção prolongada de 20 milhões de barris diários equivaleria a um choque similar ao embargo de 1973, com potencial para disparar preços do Brent acima de US$ 150/barril em poucas semanas, inflação global e recessão em economias dependentes de importações. O Estreito, com apenas 33 km no ponto mais estreito, é um gargalo sem paralelo — e sua militarização transforma cada passagem em risco calculado.


Omã, tradicional mediador na região, manteve silêncio sobre autoria do ataque, limitando-se a confirmar o resgate. A Guarda Revolucionária Islâmica iraniana não comentou oficialmente, mas mídia estatal de Teerã alegou que o navio foi alvejado por “tentar atravessar águas fechadas por razões de segurança”.


Enquanto equipes de contenção avaliam danos e risco ambiental, o episódio expõe a fragilidade do comércio global de energia em um contexto de guerra híbrida. O que começou como retaliação aérea pode evoluir para bloqueio de fato — com consequências que vão muito além do Golfo.


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