Nova Iguaçu (RJ) – A madrugada de domingo para segunda-feira (9 de fevereiro de 2026) transformou-se em terror no bairro Cerâmica, na Baixada Fluminense. Um bar da região foi palco de uma execução sumária que deixou seis mortos e ao menos uma pessoa ferida, em mais um episódio que escancara a vulnerabilidade da população diante da violência armada na região metropolitana do Rio de Janeiro.
De acordo com informações da Polícia Militar e da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), criminosos ainda não identificados invadiram o estabelecimento e abriram fogo de forma indiscriminada. As vítimas foram atingidas de maneira letal, sem qualquer indício de confronto com seguranças ou frequentadores.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o pânico dos presentes, correndo para se proteger enquanto disparos ecoavam pela madrugada. A cena reforça a sensação de insegurança que há anos marca o cotidiano da Baixada.
Entre os mortos estão:
- Julio, proprietário do jornal local Hora H
- Gogo
- Aguinaldo
- Barroso
- Ramon (ou Ranom, conforme registros iniciais)
- Ana Cristina dos Santos, 57 anos, baleada por projétil perdido e que morreu após cirurgia no Hospital Geral de Nova Iguaçu
Além das mortes, outra mulher foi ferida e permanece hospitalizada.
A DHBF assumiu o caso e periciou o local. A principal linha de investigação aponta para acerto de contas ou disputa territorial entre grupos armados. Esse tipo de dinâmica é recorrente na Baixada Fluminense, onde milícias e facções do tráfico disputam áreas de influência, frequentemente resultando em execuções coletivas.
Até o momento, não há informações sobre suspeitos ou veículos utilizados na ação. A polícia deve divulgar novos detalhes conforme avançam as diligências.
A chacina no Cerâmica não é um episódio isolado. A Baixada Fluminense concentra alguns dos maiores índices de letalidade violenta do estado, com registros frequentes de massacres em bares, festas e pontos de encontro comunitários.
Para especialistas em segurança pública, o caso expõe a fragilidade das políticas de prevenção e a dificuldade do Estado em conter o avanço de grupos armados. “A execução em massa é uma mensagem de poder e intimidação. O objetivo não é apenas eliminar rivais, mas também instaurar o medo na comunidade”, avalia um pesquisador ouvido pela imprensa.
Moradores relatam indignação e descrença. “Era um lugar para relaxar no fim de semana, agora virou cemitério”, disse um residente que preferiu não se identificar. O clima de medo reforça a percepção de que a violência se tornou rotina na região.
O episódio reacende o debate sobre a presença do Estado na Baixada Fluminense e a necessidade de políticas integradas de segurança, inteligência e proteção social. A chacina no Cerâmica é mais do que um crime brutal: é um retrato da crise estrutural que afeta comunidades inteiras, onde o lazer e a convivência podem ser interrompidos por rajadas de fuzil.
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