Afeganistão Lança Ofensiva Retaliatória Contra o Paquistão Após Ataques Aéreos

TimeCras
Roberto Farias
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Cabul/Islamabad – 26 de fevereiro de 2026 – A tensão entre o Paquistão e o Afeganistão atingiu um novo patamar nesta quinta-feira, com o governo talibã anunciando o início de uma operação militar de grande escala contra posições paquistanesas ao longo da disputada Linha Durand. A ação é uma resposta direta aos bombardeios aéreos realizados por Islamabad no último domingo (22), que mataram dezenas de pessoas em território afegão.

Ofensiva Afegã



De acordo com o porta-voz do governo talibã, Zabihullah Mujahid, as forças afegãs lançaram “operações ofensivas em grande escala” contra bases e postos militares paquistaneses nas províncias de Nangarhar, Kunar, Paktia, Khost e Nuristan.
Autoridades militares afegãs afirmam ter capturado ao menos 13 a 15 postos fronteiriços e infligido “pesadas baixas” ao inimigo, com relatos de até 40 soldados paquistaneses mortos, segundo fontes próximas ao Talibã.

Um porta-voz militar afegão descreveu os confrontos como “intensos” e “em resposta às repetidas violações” por parte do Exército paquistanês, incluindo os ataques aéreos que, segundo Cabul, atingiram áreas residenciais e causaram mortes de civis, incluindo mulheres e crianças.

Reação Paquistanesa

Do lado paquistanês, o Ministério da Informação classificou os disparos afegãos como “fogo não provocado” em múltiplos setores da província de Khyber Pakhtunkhwa, incluindo Chitral, Khyber, Mohmand, Kurram e Bajaur.
As forças de segurança afirmam ter respondido de forma “imediata e efetiva”, causando “pesadas baixas” no lado afegão e destruindo postos e equipamentos militares. Islamabad nega que seus postos tenham sido capturados.

Contexto dos Ataques

Os confrontos ocorrem menos de uma semana após os ataques aéreos paquistaneses contra supostos acampamentos do Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP) e grupos afiliados ao Estado Islâmico – Khorasan (ISIS-K).
O Paquistão alegou ter eliminado 70 a 80 militantes, mas o Afeganistão rebateu, afirmando que as vítimas eram majoritariamente civis, com pelo menos 18 mortos em áreas como Nangarhar e Paktika.

Escalada e Repercussão Internacional

A fronteira permanece altamente volátil, com trocas de artilharia pesada e fogo de infantaria durante a noite.
A ONU, por meio do alto comissário de Direitos Humanos Volker Türk, apelou por diálogo imediato para evitar uma escalada maior. Analistas alertam que, apesar das limitações logísticas e econômicas de ambos os lados, o risco de confrontação prolongada persiste.

Islamabad acusa Cabul de abrigar insurgentes do TTP responsáveis por ataques em território paquistanês, enquanto o Talibã acusa o Paquistão de agressões sistemáticas e violações de soberania.
O fechamento de passagens fronteiriças desde outubro de 2025 agrava a crise humanitária na região. Até o momento, não há indícios de intervenção externa, apesar de tentativas anteriores de mediação por países como Qatar e Turquia.


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