Venezuela – 05 de janeiro de 2026
Caracas amanheceu sob um manto de incerteza, mas a noite trouxe ecos de caos. Relatos de moradores e vídeos que circulam nas redes sociais apontam para intensos tiroteios nas proximidades do Palácio de Miraflores, sede do governo venezuelano. Testemunhas descrevem rajadas de tiros, tanques nas ruas e até disparos contra objetos voadores identificados como drones.
Inicialmente, o pânico sugeriu uma nova incursão estrangeira. Mas fontes próximas ao governo interino indicam que as forças de segurança abriram fogo contra drones próprios — usados para vigilância interna — em um episódio de confusão que revela o nervosismo extremo das autoridades.
O incidente ocorre poucas horas após a posse de Delcy Rodríguez como presidenta interina, juramentada pela Assembleia Nacional controlada pelo chavismo. Em discurso conciliador, Rodríguez estendeu a mão aos Estados Unidos, falando em “cooperação” e agenda comum, em contraste com a postura beligerante inicial do regime.
Enquanto isso, em Nova Iorque, Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, compareceram ao tribunal federal. Maduro declarou-se inocente das acusações de narcoterrorismo e tráfico de drogas, afirmando: “Sou um homem decente e ainda sou o presidente legítimo da Venezuela.” Detido sem direito a fiança, o ex-líder enfrenta um processo que pode durar anos, deixando um vácuo de poder em Caracas.
A crise, desencadeada pela operação militar americana de 3 de janeiro, continua a evoluir de forma imprevisível. Aliados como Cuba, China e Rússia condenam a “agressão imperialista”, enquanto a oposição exilada clama por transição democrática. Internamente, o governo interino tenta projetar normalidade, mas episódios como o tiroteio noturno expõem fragilidades: paranoia, descoordenação e medo de escalada.
Com a economia fragilizada e o risco de escassez, os venezuelanos vivem dias de angústia. O país parece à beira de um novo capítulo incerto. Será que o tom moderado de Rodríguez abrirá portas para negociações com Washington, ou o nervosismo das forças leais ao madurismo levará a novos confrontos? Por enquanto, Caracas não dorme tranquila — e o mundo observa, atento, o desenrolar dessa saga que mistura justiça internacional, petróleo e o eterno drama da política latino-americana.
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