Administração Trump discute operação de forças especiais para tomar terminal que responde por 90% das exportações de petróleo do Irã, em meio a escalada do conflito que já entra na segunda semana.
A Escalada
Em meio à intensificação do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã — que já registra mais de uma semana de bombardeios aéreos intensos e destruição de defesas iranianas —, autoridades da administração Trump estão avaliando seriamente a possibilidade de uma operação terrestre limitada: a captura da Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo iraniano.
De acordo com reportagem exclusiva do portal Axios publicada neste domingo (8), fontes da Casa Branca confirmaram discussões internas sobre o sequestro (seizure) da ilha, localizada a cerca de 25-30 km da costa sul do Irã, no Golfo Pérsico. Kharg é responsável por aproximadamente 90% das exportações de petróleo bruto do país, o equivalente a até 2 milhões de barris por dia em capacidade pré-guerra — receita que financia grande parte do orçamento governamental e, especialmente, as operações da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).
Estratégia Militar
A ideia não envolve uma invasão em massa do território continental iraniano, mas sim uma ação anfíbia ou de forças especiais para tomar controle do terminal e interromper o fluxo de receita que sustenta o regime de Teerã. Analistas consultados pelo Axios e por outros veículos classificam a medida como um “no-brainer” (óbvio) em termos estratégicos: cortar essa fonte de financiamento poderia acelerar o colapso econômico do governo iraniano, forçando negociações ou rendição.
Operação “Epic Fury”
O confronto escalou após ataques iranianos a alvos regionais e respostas americanas/israelenses sob a chamada Operation Epic Fury. Os EUA e aliados já destruíram grande parte das defesas aéreas iranianas (estimadas em 70-80%), bases navais, depósitos de combustível, aeroportos militares e instalações de comando. Trump declarou publicamente que busca a “destruição completa” das capacidades militares e nucleares do Irã, sem descartar tropas terrestres “por um bom motivo”.
Paralelamente, há debates sobre missões de forças especiais para capturar estoques de urânio altamente enriquecido (cerca de 450 kg a 60%, material que poderia ser convertido em combustível para bombas nucleares em semanas). Duas opções são analisadas: remoção total do material ou diluição in loco com especialistas nucleares.
Riscos e Impactos Globais
- Econômicos: Retirada imediata de petróleo iraniano do mercado global poderia elevar o preço do barril para US$ 150 ou mais, gerando inflação e risco de recessão mundial.
- Geopolíticos: Exposição de forças americanas a contra-ataques constantes (drones, mísseis balísticos e assimétricos), além de possível escalada envolvendo China (grande compradora de petróleo iraniano).
- Humanitários: Crise energética no Irã afetaria ainda mais a população civil já sob pressão de escassez de combustível e infraestrutura danificada.
Até o momento, não há ordem de execução nem mobilização confirmada. As discussões permanecem na fase de planejamento de contingência, e Trump enfatizou que qualquer ação terrestre só ocorreria em estágios avançados e com justificativa forte.
Histórico e Perspectivas
A Ilha de Kharg, pequena faixa de terra de cerca de 5 km de extensão, já foi alvo de planos semelhantes na era Carter (1979), mas descartada por riscos excessivos. Em 2026, o cálculo militar mudou, mas o econômico permanece o maior obstáculo.
O desenrolar das próximas horas ou dias será decisivo: se a captura avançar, o conflito pode passar de campanha aérea para confronto com implicações globais profundas.
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