Navio iraniano que visitou o Brasil em 2023 é afundado por forças americanas no Golfo de Omã

TimeCras
Roberto Farias
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A corveta da classe Jamaran, símbolo da expansão naval do Irã, foi destruída no píer de Chah Bahar durante a “Operação Epic Fury”. A perda revive debates sobre transferência de tecnologia e alinhamentos geopolíticos que o governo Lula permitiu há três anos, enquanto Washington afunda a frota iraniana em massa.

A fragata iraniana que atracou no Rio de Janeiro em 2023 — parte da polêmica visita autorizada pelo governo brasileiro — agora jaz no fundo do Golfo de Omã, vítima de um míssil americano durante a ofensiva que marca o colapso da Marinha de Teerã. O episódio, confirmado pelo Comando Central dos EUA (CENTCOM) em 1º de março de 2026, reacende questionamentos sobre os reais objetivos daquela escala sul-americana e expõe as fissuras na diplomacia brasileira em meio à guerra que engoliu o Oriente Médio.



Em fevereiro de 2023, o IRIS Dena (fragata da classe Mowj/Jamaran) e o navio de apoio IRIS Makran receberam permissão para atracar no Porto do Rio de Janeiro por cerca de uma semana. A decisão, tomada em meio a fortes pressões diplomáticas dos Estados Unidos e de Israel — que classificaram o Irã como ameaça existencial —, gerou nota de repúdio da embaixada americana e críticas internas por suposto risco à segurança nacional. O governo brasileiro defendeu a soberania na política externa e o direito de manter relações com todos os países, negando qualquer atividade ilícita durante a visita.


Três anos depois, o destino de um navio da mesma classe — o IRIS Jamaran, líder da série e frequentemente citado em reportagens como representativo do grupo — selou um capítulo amargo. No dia 1º de março de 2026, o CENTCOM divulgou que forças americanas atingiram a embarcação com precisão, deixando-a afundando ao lado do cais em Chah Bahar, porto estratégico no sudeste iraniano. Imagens divulgadas pelo comando mostram fumaça densa e inclinação crítica da estrutura, confirmando a perda total.


O afundamento faz parte de uma campanha naval mais ampla. O presidente Donald Trump anunciou, em postagem no X, que nove navios iranianos já foram destruídos — número que fontes militares elevaram para 11 em atualizações posteriores —, incluindo fragatas, corvetas e navios de apoio. A “Operação Epic Fury”, iniciada em 28 de fevereiro após ataques conjuntos EUA-Israel que resultaram na morte do líder supremo iraniano, mirou não só instalações nucleares e de mísseis, mas também a capacidade marítima de Teerã no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã. O quartel-general naval iraniano em Bandar Abbas sofreu danos severos, e relatos indicam que outros vasos da classe Mowj/Jamaran, como o IRIS Sahand (que já havia afundado em acidente em 2024 e sido recuperado), podem ter sido atingidos em docas próximas.


Do lado iraniano, a Guarda Revolucionária alega contra-ataques bem-sucedidos, incluindo disparos contra o porta-aviões USS Abraham Lincoln — versão contestada por Washington, que nega qualquer dano significativo. A troca de fogo no Estreito de Ormuz já afeta o tráfego comercial: petroleiros foram alvejados, e um deles afundou segundo a mídia estatal de Teerã, elevando o risco de disrupção global no suprimento de petróleo.


No Brasil, o episódio reacende suspeitas nunca comprovadas sobre o que os navios iranianos fizeram durante a estadia no Rio. Críticos apontam para possíveis transferências de know-how em mísseis antinavio ou até contatos relacionados ao programa nuclear, embora autoridades brasileiras da época tenham negado veementemente qualquer irregularidade. A coincidência de a classe Jamaran estar no centro da destruição americana agora serve de munição para opositores do governo anterior, que cobram explicações sobre por que o Brasil optou por receber navios de um país sob sanções pesadas.


Em um conflito que já custou vidas de militares americanos e ameaça escalar para confronto direto, o afundamento de um navio que pisou em solo brasileiro simboliza como decisões diplomáticas de anos atrás podem reverberar em cenários de guerra. Enquanto o Irã vê sua frota ser reduzida a destroços, o Brasil assiste ao passado voltar como fantasma geopolítico — e o mundo observa se o Estreito de Ormuz se tornará o novo campo de batalha que pode alterar o preço do barril e o equilíbrio de poder global.



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