Presidente francês critica "lei do mais forte" em discurso no Fórum Econômico Mundial; recado indireto a Trump e tensões sobre Groenlândia marcam evento
Segundo Macron, o planeta está vivendo "uma mudança em direção a um mundo sem regras, onde o direito internacional é pisoteado e onde a única lei que parece importar é a lei dos mais fortes". Ele completou afirmando que "as ambições imperiais estão ressurgindo", em uma clara referência a posturas expansionistas e protecionistas de grandes potências.
O discurso ocorre em meio a crescentes tensões internacionais, especialmente após ameaças tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra aliados europeus — incluindo tarifas de até 200% sobre vinhos e champanhes franceses — e sua insistência em adquirir a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca. Macron defendeu que a Europa "não deve se curvar a valentões" nem adotar posturas derrotistas, rejeitando tanto a submissão quanto o isolamento.
"Preferimos o respeito aos mandões", declarou o líder francês, que discursou usando óculos escuros devido a uma condição ocular (um pequeno sangramento benigno no olho direito, segundo o Palácio do Eliseu). Ele defendeu o multilateralismo, o respeito às regras internacionais e o uso de ferramentas da União Europeia, como o mecanismo anti-coerção, para proteger os interesses europeus diante de pressões externas.
O pronunciamento de Macron é visto por analistas como uma crítica velada não apenas a Trump, mas também a outras potências como a Rússia (no contexto da guerra na Ucrânia) e a China (por práticas comerciais agressivas). O Fórum de Davos, que prossegue com a participação de Trump na quarta-feira (21), reflete o momento de alta volatilidade global, com riscos de fragmentação econômica e erosão da ordem baseada em regras estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.
A declaração reforça a posição da França como defensora do multilateralismo e da "autonomia estratégica" europeia, em um contexto em que o continente busca equilibrar relações com os EUA sem perder soberania.
O que isso significa para o Brasil e o mundo emergente?
Países como o Brasil, que defendem o multilateralismo em fóruns como o G20 e o BRICS, acompanham de perto essas sinalizações. Um enfraquecimento do direito internacional pode abrir espaço para maior instabilidade comercial e territorial, afetando exportações, investimentos e a governança global.
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