Crise na Fronteira: Venezuela ameaça prender jornalistas e derrubar drones em Pacaraima

TimeCras
Roberto Farias
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A fronteira entre Brasil e Venezuela, em Pacaraima, no norte de Roraima, vive momentos de alta tensão quatro dias após a operação militar norte-americana que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em Caracas. Fontes no local relatam que forças venezuelanas transmitiram alertas diretos ao Exército Brasileiro: jornalistas que tentarem cruzar para o território venezuelano serão detidos, e drones utilizados para cobertura jornalística correm risco de ser abatidos.


Repórteres presentes na região, entre eles equipes da GloboNews e CNN Brasil, confirmam que militares da Guarda Nacional Bolivariana abordaram soldados brasileiros para comunicar a ordem vinda da capital. "A orientação é clara: não permitam que jornalistas brasileiros atravessem, pois serão presos imediatamente", relatou um profissional de imprensa que preferiu não se identificar por razões de segurança. O incidente ocorreu nos postos de controle da linha divisória, reaberta parcialmente após fechamento temporário no último sábado (3).


Paralelamente, surge a preocupação com o uso de drones. Jornalistas que tentam captar imagens aéreas do lado venezuelano recebem advertências de militares brasileiros para recolher os equipamentos. "Desçam os drones agora; do outro lado, eles podem interpretar como ameaça e disparar", teria alertado um soldado do Exército, segundo relatos colhidos no local. Embora não haja registro de abate específico na fronteira, o contexto de alerta máximo em Caracas – onde forças de defesa antiaérea dispararam contra drones não identificados nos últimos dias – reforça o temor.


A repressão à imprensa ganha contornos mais amplos na Venezuela pós-captura de Maduro. O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP) registrou pelo menos 16 detenções de jornalistas, nacionais e estrangeiros, durante a cobertura da transição de poder, agora liderada interinamente por Delcy Rodríguez. Equipamentos foram confiscados, e há relatos de fiscalização de celulares em pontos de controle.


Do lado brasileiro, o Exército mantém cerca de 120 militares na região, com blindados Guarani e drones próprios para monitoramento. Rotas clandestinas continuam ativas para travessia de pessoas e mercadorias, mas não há registro de confrontos diretos. O Ministério da Defesa brasileiro descreve a situação como "calma e monitorada", sem expectativa de aumento significativo no fluxo migratório.


Especialistas em direitos humanos alertam que as restrições configuram um cerco à liberdade de imprensa em um momento crítico para a região. "Impedir o acesso terrestre e aéreo à informação limita o direito da sociedade de conhecer os desdobramentos de uma crise que afeta diretamente países vizinhos", avalia uma fonte da Repórteres Sem Fronteiras consultada pela reportagem.


A fronteira de Pacaraima, palco histórico de fluxos migratórios venezuelanos, transforma-se agora em linha de contenção informacional. Enquanto o mundo acompanha as repercussões da operação estadounidense – que incluiu ataques a alvos ligados ao narcotráfico –, a imprensa na linha de frente enfrenta barreiras que vão além do terreno: do solo ao céu.

 

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