As recentes declarações de Donald Trump reacenderam um debate histórico e delicado: a forma como os Estados Unidos tratam a América do Sul como uma área de influência direta, quase um “quintal estratégico”. Após a ofensiva contra a Venezuela e a captura de Nicolás Maduro, o presidente norte-americano voltou suas atenções para a Colômbia, sugerindo que o país poderia ser “o próximo” alvo de ações de Washington.
Trump não poupou críticas ao presidente colombiano Gustavo Petro, a quem chamou de “homem doente”, acusando-o de permitir que a Colômbia continue sendo um grande produtor de cocaína. A retórica, marcada por ataques pessoais e ameaças veladas, reforça a ideia de que sua política externa segue uma linha intervencionista, atualizada sob o rótulo da chamada “Doutrina Don-Roe” — uma releitura agressiva da Doutrina Monroe, formulada em 1823 para consolidar a hegemonia dos EUA no continente.
Essa postura não se limita à Colômbia. O México também foi citado como alvo de possíveis medidas, e Cuba permanece sob constante vigilância. O discurso de Trump sinaliza que sua administração pretende ampliar o alcance militar e diplomático na região, justificando as ações com o combate ao narcotráfico e à instabilidade política.
Do lado colombiano, Petro respondeu com cautela, afirmando que analisaria as declarações antes de reagir a uma “ameaça ilegítima”. A tensão, no entanto, já é evidente: em outubro de 2025, os EUA haviam imposto sanções contra Bogotá, e em dezembro Trump antecipou que Petro poderia ser “o próximo” a enfrentar pressão direta.
Para analistas, o impacto dessas falas vai além da política bilateral. Elas reforçam a percepção de que a América Latina continua sendo vista por Washington como uma região subordinada, onde os EUA se reservam o direito de intervir sempre que considerarem necessário. Essa visão, que muitos classificam como resquício de imperialismo, coloca em xeque a soberania dos países sul-americanos e abre espaço para novos embates diplomáticos.
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