Em meio às tensões crescentes entre Moscou e Kyiv, um relatório divulgado pelo Wall Street Journal no fim de 2025 trouxe uma reviravolta significativa: segundo autoridades de inteligência dos Estados Unidos, incluindo análises da CIA, não houve tentativa da Ucrânia de atacar Vladimir Putin ou qualquer uma de suas residências oficiais.
A conclusão contrasta diretamente com as acusações feitas pelo ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, que afirmou que Kyiv teria lançado 91 drones de longo alcance contra a residência presidencial em Valdai, região de Novgorod. Moscou sustentou que todos os drones foram abatidos pelas defesas antiaéreas, sem causar vítimas ou danos. Lavrov classificou o episódio como “terrorismo de Estado” e insinuou que isso poderia impactar futuras negociações de paz.
No entanto, a narrativa russa rapidamente foi colocada em xeque. Não surgiram evidências independentes que confirmassem o ataque: nenhum vídeo de explosões ou interceptações circulou nas redes sociais, algo comum em operações reais dentro do território russo. Moradores locais de Valdai relataram não ter ouvido qualquer barulho suspeito naquela noite, o que seria improvável em um confronto envolvendo dezenas de drones. Além disso, houve inconsistências nos números divulgados pelo próprio Ministério da Defesa russo, que inicialmente reportou menos interceptações do que os 91 citados por Lavrov.
Do lado ucraniano, a resposta foi imediata. O presidente Volodymyr Zelenskyy classificou a acusação como uma “fabricação completa”, projetada para justificar novas escaladas militares e enfraquecer esforços diplomáticos em andamento. Autoridades em Kyiv sugeriram que, caso drones tenham sido lançados, o alvo seriam instalações militares na região, e não a residência pessoal de Putin.
O timing da acusação também chamou atenção. Ela ocorreu logo após conversas promissoras entre Zelenskyy e o presidente americano Donald Trump. Inicialmente, Trump demonstrou irritação ao ouvir a versão de Putin, mas fontes indicam que, após receber as avaliações de inteligência, sua postura tornou-se mais cautelosa.
Para analistas internacionais, o episódio é mais um exemplo de guerra informacional. Em quase quatro anos de conflito, Moscou tem histórico de alegações sem provas concretas, usadas para influenciar a opinião pública e pressionar líderes estrangeiros. A recusa do Kremlin em fornecer detalhes adicionais — com o porta-voz Dmitry Peskov afirmando que “não é necessário” — reforça a percepção de que se trata de uma manobra política.
À medida que 2025 chega ao fim, o caso ilustra como a desinformação continua sendo uma arma poderosa no tabuleiro geopolítico. Resta saber se essa polêmica terá impacto real nas negociações de paz ou se servirá apenas para prolongar o impasse entre Moscou e Kyiv. O certo é que, sem evidências sólidas, a credibilidade da acusação russa permanece fragilizada.
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