Ministério da Saúde libanês denuncia bombardeios em estruturas médicas no sul do país, enquanto Israel justifica ações como resposta a ameaças do Hezbollah.
Beirute – Uma nova onda de ataques aéreos israelenses no sul do Líbano deixou ao menos 51 mortos nas últimas 24 horas, segundo o Ministério da Saúde do Líbano. Entre as vítimas estão dois profissionais de saúde, o que eleva a tensão em uma região já marcada por sucessivas violações ao cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em meados de abril de 2026.
Os bombardeios atingiram principalmente localidades nos distritos de Bint Jbeil, Nabatieh e arredores de Sidon. O ministério libanês afirmou que duas instalações ligadas ao atendimento médico foram diretamente alvo em Qalawiya e Tibnin. “O inimigo israelense continua a violar leis internacionais e normas humanitárias, somando mais crimes contra paramédicos”, diz o comunicado oficial.
Desde o início do cessar-fogo em 16 de abril, as autoridades libanesas registram mais de 550 mortes provocadas por ações israelenses, elevando o total de óbitos desde o recrudescimento dos confrontos em março para além de 2.800, de acordo com balanços acumulados. O número inclui tanto civis quanto membros do Hezbollah, embora o ministério não faça distinção sistemática entre combatentes e não combatentes.
Um cessar-fogo frágil
O acordo de trégua, anunciado com mediação americana e posteriormente estendido, previa a retirada de forças israelenses e o desarmamento do Hezbollah na zona de fronteira. No entanto, ambos os lados se acusam mutuamente de violações sistemáticas. Israel afirma atuar em legítima defesa contra movimentações e ameaças do grupo xiita, que continua lançando foguetes e drones esporádicos contra o norte israelense. Do lado libanês, as autoridades denunciam ocupação parcial do território e bombardeios rotineiros que impedem o retorno seguro de dezenas de milhares de deslocados.
A escalada atual ocorre em um contexto regional ainda volátil, influenciado pelos desdobramentos mais amplos no Oriente Médio. Organizações humanitárias, como a Médicos Sem Fronteiras, têm alertado para o impacto sobre a infraestrutura de saúde libanesa, já bastante desgastada por anos de crises políticas, econômicas e bélicas.
Impacto humanitário
Além das mortes, os ataques geram novos deslocamentos e dificultam o acesso a serviços básicos no sul do país. Residentes relatam ordens de evacuação em vilarejos próximos à fronteira, repetindo um padrão observado desde o início dos confrontos mais intensos.
Até o momento, não há posicionamento oficial detalhado do governo israelense sobre os incidentes específicos das últimas 24 horas. Historicamente, as Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmam priorizar alvos militares e minimizar danos colaterais, acusando o Hezbollah de usar áreas civis como escudo.
A ONU e mediadores internacionais acompanham a situação com preocupação, temendo que a erosão contínua do cessar-fogo possa levar a uma nova rodada de escalada generalizada. Negociações indiretas para consolidação da trégua seguem em curso, mas avançam lentamente.
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