Brasília, 27 de abril de 2026 – A junta militar do Mali sofreu um dos maiores reveses desde o golpe de 2020. Tropas do Africa Corps russo, sucessor estatal do Grupo Wagner, retiraram-se da cidade de Kidal, no norte do país, após ficarem cercadas por rebeldes tuaregues da Frente de Libertação do Azawad (FLA) e militantes jihadistas do JNIM, ligado à Al-Qaeda. A saída ocorreu mediante acordo que garantiu passagem segura, deixando a cidade estratégica sob controle rebelde.
A ofensiva começou em 25 de abril com ataques simultâneos em Bamako, Gao, Sévaré e Kidal. Pela primeira vez em anos, separatistas tuaregues e jihadistas coordenaram ações em grande escala, representando o maior desafio à segurança do Mali desde a rebelião de 2012.
Segundo porta-voz da FLA, o acordo permitiu que tropas malianas e russas abandonassem o “Camp 2”, base onde estavam entrincheiradas. Imagens locais mostraram combatentes celebrando a retirada e a bandeira maliana sendo removida. Um helicóptero russo foi abatido durante os combates, mas não há confirmação oficial de baixas russas.
O episódio mais grave ocorreu em Kati, próximo a Bamako: o ministro da Defesa Sadio Camara, figura central na parceria com Moscou, foi morto em ataque com carro-bomba seguido de tiroteio, reivindicado pelo JNIM. Familiares também morreram na ação. O governo decretou dois dias de luto nacional. A morte de Camara representa um duro golpe para a junta liderada por Assimi Goïta, já que ele era considerado pilar da estratégia de substituição da presença francesa e da ONU pela cooperação russa.
Após a expulsão das forças francesas em 2022 e da missão da ONU, o Mali passou a contar com o Grupo Wagner e, depois, com o Africa Corps, força paramilitar controlada pelo Ministério da Defesa russo. Estima-se que entre 2.000 e 2.500 combatentes russos atuem no país. Apesar de algumas reconquistas, como Kidal em 2023, a insegurança persiste, com denúncias de abusos contra civis e resultados limitados contra jihadistas.
Analistas apontam que a ofensiva de abril expôs fragilidades: bloqueio jihadista que afeta o abastecimento de Bamako, coordenação inédita entre FLA e JNIM e dificuldade russa em sustentar ganhos territoriais no Sahel. A perda de Kidal, símbolo da reivindicação tuaregue pelo Azawad independente, enfraquece a narrativa de sucesso da parceria russo-maliense.
O Africa Corps afirma manter operações em outras regiões, mas a junta ainda não apresentou plano de resposta. A comunidade internacional acompanha com preocupação o risco de maior fragmentação no Sahel, já marcado por instabilidade em Burkina Faso e Níger.
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