Brasília, 27 de abril de 2026 – A Polícia Federal (PF) decidiu devolver as credenciais de um agente de ligação dos Estados Unidos que atuava na sede da corporação em Brasília. A medida, anunciada nesta segunda-feira (27), representa um recuo prático na retaliação iniciada há menos de uma semana e indica esforço do governo Lula para conter a crise diplomática com a administração de Donald Trump.
A devolução ocorre após a PF ter aplicado o “princípio da reciprocidade” no dia 22 de abril, quando revogou as credenciais de pelo menos um oficial americano em resposta à decisão dos EUA de pedir a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, oficial de ligação junto ao Immigration and Customs Enforcement (ICE) em Miami. Carvalho havia participado da operação que resultou na prisão temporária do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) em território norte-americano.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, havia justificado a medida inicial com tom de pesar, mas firmeza: “Eu retirei, com pesar, as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da reciprocidade”. Na ocasião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva endossou publicamente a ação em vídeo publicado nas redes sociais, ao lado de Rodrigues e do ministro da Justiça. “O que eles fizerem conosco, nós vamos fazer com eles”, declarou Lula, acrescentando que esperava que os americanos estivessem “dispostos a voltar a conversar” para normalizar as relações.
Uma das credenciais revogadas pertencia a Michael William Myers, agente da Homeland Security Investigations (HSI), vinculado ao ICE. Myers deixou o Brasil ainda na semana passada, por determinação do Itamaraty. O segundo agente — cujo nome permanece sob sigilo oficial — continuava em território brasileiro e agora teve o acesso restabelecido às instalações e sistemas da PF.
Fontes próximas à PF e ao Itamaraty afirmam que a devolução das credenciais foi motivada pela avaliação de que a reciprocidade já havia sido cumprida de forma proporcional, sem necessidade de prolongar o atrito. A cooperação bilateral em áreas sensíveis — como combate ao crime organizado transnacional, controle de fronteiras e monitoramento de ameaças como o Hezbollah — é considerada estratégica pelos dois países e não foi interrompida em nenhum momento.
O episódio expõe o padrão atual das relações Brasil-EUA no segundo mandato de Trump: endurecimento retórico e gestos simbólicos de soberania de parte do governo brasileiro, seguido de ajustes pragmáticos para evitar danos permanentes aos canais de inteligência e segurança. Até o momento, não há registro de comunicação oficial de Washington sobre o caso, e o delegado Marcelo Ivo de Carvalho já retornou ao Brasil, onde deve ser realocado.
Especialistas em relações internacionais consultados por veículos como SBT News e Valor Econômico avaliam que o recuo da PF evita uma espiral desnecessária, especialmente em um momento em que o Brasil negocia pautas comerciais e de investimentos com os EUA. O Planalto deve manter o tom conciliador nas próximas declarações, reforçando o discurso de “diálogo” já utilizado por Lula na semana passada.
A PF e o Ministério das Relações Exteriores não detalharam o nome do agente beneficiado pela devolução nem o prazo exato da medida. O caso segue em acompanhamento sigiloso entre as chancelarias.
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