Brasília, 27 de abril de 2026 – O governo iraniano apresentou aos Estados Unidos, por intermédio de mediadores paquistaneses, uma proposta formal para pôr fim ao impasse que mantém o Estreito de Ormuz praticamente fechado desde o início da guerra em 28 de fevereiro. O documento prevê a reabertura imediata da rota marítima estratégica, o encerramento definitivo do conflito ou sua prorrogação indefinida e a suspensão do bloqueio naval imposto por Washington. Em contrapartida, Teerã sugere que as negociações sobre seu programa nuclear sejam tratadas apenas em uma fase posterior.
A oferta foi revelada pelo site Axios e confirmada por veículos como Reuters e Associated Press. Segundo fontes diplomáticas, a proposta chegou à Casa Branca no fim de semana e seria analisada nesta segunda-feira em reunião de emergência com a equipe de segurança nacional do presidente Donald Trump.
O texto iraniano destaca três pontos centrais: garantir a livre navegação internacional em Ormuz sem restrições ou tarifas, transformar o cessar-fogo frágil em acordo de paz permanente e suspender de imediato o bloqueio naval americano. Em troca, o Irã aceita discutir limitações ao enriquecimento de urânio e ao estoque de material físsil em rodada futura, estratégia interpretada como tentativa de separar a crise do estreito da questão nuclear.
A reação em Washington foi marcada pelo ceticismo. Trump reiterou que qualquer acordo depende do fim completo do programa nuclear iraniano, afirmando que “eles não terão arma nuclear”. O secretário de Estado, Marco Rubio, reforçou que propostas sem garantias de navegação livre e sem controle iraniano são inaceitáveis, mantendo o bloqueio como instrumento de pressão.
O conflito, iniciado após ataques conjuntos EUA-Israel que resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei e de altos comandantes da Guarda Revolucionária, levou Teerã a fechar Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo e gás natural mundial. A medida elevou drasticamente os preços globais de energia. Em abril, os EUA responderam com bloqueio naval, e apesar de um cessar-fogo condicional, o tráfego marítimo segue mínimo devido ao risco de minas e ataques.
Economistas alertam que a continuidade do impasse pode intensificar a alta dos combustíveis e pressionar a inflação global. Países importadores como China, Índia, Japão e Coreia do Sul acompanham com preocupação. Enquanto isso, o Irã acusa os EUA de travar as negociações e prepara legislação para formalizar controle militar sobre o estreito. Do lado americano, o foco permanece em impedir que Teerã avance em seu programa nuclear.
A reunião de Trump com sua equipe nesta segunda-feira deve definir se a proposta abre caminho para avanço diplomático ou se as partes retornarão ao impasse. Até o momento, não houve confirmação oficial da Casa Branca sobre aceitação ou rejeição da oferta.
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