Beirute, 8 de abril de 2026 – Horas após o anúncio de um cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irã, Israel realizou hoje o que descreveu como sua maior operação aérea coordenada contra o Hezbollah no Líbano. A ação resultou em dezenas de mortos e centenas de feridos, segundo autoridades libanesas.
De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano e relatos de serviços de emergência, os bombardeios causaram pelo menos 112 mortes e centenas de feridos somente nesta quarta-feira, com números ainda preliminares e possibilidade de aumento, pois equipes de resgate buscam sobreviventes sob os escombros. Hospitais da capital e de outras regiões relataram estar sobrecarregados, com apelos por doações de sangue.
O Exército israelense informou que cerca de 50 caças participaram da operação, atingindo mais de 100 centros de comando e instalações militares do Hezbollah em um intervalo de apenas 10 minutos. Os alvos concentraram-se nos subúrbios sul de Beirute, no sul do país (regiões de Tiro, Nabatieh e Sidon) e no vale do Bekaa, no leste. Algumas explosões atingiram áreas residenciais e comerciais centrais da capital sem aviso prévio, gerando colunas de fumaça visíveis de longe e cenas de pânico nas ruas.
A ofensiva
A ofensiva ocorreu apesar do cessar-fogo de duas semanas anunciado na terça-feira (7 de abril) entre Washington e Teerã, mediado pelo Paquistão. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente Donald Trump afirmaram explicitamente que o acordo não se aplica ao Líbano, devido à presença do Hezbollah. Israel manteve que continuará suas operações contra o grupo armado.
Do lado libanês, o Hezbollah anunciou anteriormente uma pausa temporária em seus ataques contra Israel, em respeito ao cessar-fogo com o Irã. Até o momento, não há registro de resposta imediata do grupo aos bombardeios de hoje.
Balanço da guerra
Desde o início da escalada em 2 de março de 2026, os ataques israelenses no Líbano já provocaram mais de 1.530 mortes e cerca de 4.812 feridos, segundo dados acumulados do Ministério da Saúde libanês até ontem. Mais de 1,2 milhão de pessoas — quase um quinto da população — foram deslocadas internamente, criando uma grave crise humanitária.
A ONU, a França e líderes de vários países árabes manifestaram preocupação com a continuidade dos combates no Líbano e pediram a inclusão do país no cessar-fogo regional. O Irã alertou que novos ataques podem comprometer o frágil acordo.
A situação permanece volátil. Os números de vítimas podem subir nas próximas horas, à medida que o trabalho de resgate avança em meio aos destroços. Negociações para estabilizar a região devem continuar nos próximos dias.
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