Washington, 8 de abril de 2026 – Em uma declaração que surpreendeu analistas e gerou reações imediatas, o presidente Donald Trump abriu a possibilidade de os Estados Unidos e o Irã criarem uma empresa conjunta para proteger e gerir o Estreito de Ormuz, principal rota de escoamento de petróleo do mundo.
“Estamos pensando em fazê-lo como uma empresa. É uma maneira de garantir e protegê-lo de muitas outras pessoas. É uma coisa linda”, disse Trump em entrevista à ABC News nesta quarta-feira (8).
A sugestão surge apenas um dia após Trump aceitar um cessar-fogo temporário de duas semanas com o Irã, mediado pelo Paquistão, condicionado à reabertura segura do estreito. Até o momento, as forças americanas permanecem posicionadas na região, conforme confirmado pelo Pentágono.
Do ultimato à parceria empresarial
A proposta marca uma mudança de tom significativa. Na noite de terça-feira (7), Trump havia ameaçado “obliterar” a infraestrutura iraniana caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto imediatamente, chegando a afirmar que “uma civilização inteira morreria”. Horas depois, ele recuou e anunciou a trégua.
Agora, ao ser questionado sobre a possibilidade de o Irã cobrar pedágios de navios que passam pelo estreito, Trump indicou que uma estrutura de joint venture (empresa em parceria) poderia ser uma solução para garantir a segurança da navegação, afastando ameaças de terceiros e garantindo fluxo livre de óleo.
Especialistas em relações internacionais veem a ideia como típica do estilo pragmático e negociante de Trump, que frequentemente mistura pressão militar com propostas comerciais. No entanto, a sugestão ainda não foi detalhada nem confirmada por nenhuma autoridade iraniana.
Contraste com o discurso do Pentágono
A declaração de Trump contrasta fortemente com o tom adotado pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, que na mesma manhã classificou o cessar-fogo como resultado de uma “vitória com V maiúsculo” e afirmou que o Irã “implorou” pelo acordo, dizendo que os militares iranianos foram “humilhados”.
Enquanto Hegseth projeta força e superioridade militar, Trump sinaliza disposição para uma solução econômica compartilhada. Questionado sobre a permanência de tropas americanas na região durante o cessar-fogo, o presidente reforçou que os EUA continuarão monitorando de perto a reabertura do estreito.
Reação esperada em Teerã
Até o fechamento desta reportagem, o governo iraniano não havia comentado diretamente a ideia da empresa conjunta. Nas últimas horas, autoridades iranianas têm celebrado o cessar-fogo como uma “vitória da resistência” e uma consequência da pressão econômica global causada pelo fechamento temporário do Ormuz.
Analistas alertam que qualquer parceria formal entre Washington e Teerã enfrentaria enormes obstáculos políticos: oposição interna nos EUA (especialmente no Partido Republicano e entre aliados de Israel), desconfiança histórica do regime iraniano e a questão do programa nuclear, que permanece sem resolução.
Impacto nos mercados e próximos passos
A menção a uma possível solução comercial conjunta contribuiu para o alívio nos mercados. Futuros do petróleo caíram ainda mais nesta manhã, refletindo expectativas de que o estreito seja reaberto de forma gradual nas próximas semanas.
Delegações americanas e iranianas devem iniciar conversas em Islamabad a partir de sexta-feira (10 de abril). A proposta iraniana de dez pontos, que inclui alívio de sanções e garantias de segurança, deve ser o ponto de partida das negociações.
O cessar-fogo permanece frágil e condicionado à “abertura completa, imediata e segura” do Estreito de Ormuz. Qualquer incidente ou descumprimento pode encerrar a trégua antes do prazo de duas semanas.
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