Cessar-fogo EUA-Irã entra em crise nas primeiras 24 horas após maior ofensiva israelense no Líbano

TimeCras
Roberto Farias
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Beirute/Teerã, 8 de abril de 2026

O cessar-fogo temporário de duas semanas anunciado na terça-feira (7) entre Estados Unidos e Irã já enfrenta sua primeira grande crise. Horas após o acordo, Israel realizou a maior onda de ataques aéreos contra o Líbano desde o início da guerra, matando ao menos 254 pessoas e ferindo mais de 1.165, segundo o Ministério da Saúde libanês e a Defesa Civil.

Os bombardeios, descritos pelo Exército israelense como “a operação mais coordenada” até agora, atingiram mais de 100 alvos em Beirute, no sul do país e no vale do Bekaa em um curto intervalo de tempo. Testemunhas relatam explosões consecutivas em áreas residenciais e comerciais, com colunas de fumaça visíveis em toda a capital. Hospitais estão sobrecarregados e equipes de resgate trabalham em meio aos escombros.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reforçou que o cessar-fogo mediado pelo Paquistão não inclui o Líbano nem o Hezbollah. “Continuaremos atingindo o Hezbollah”, declarou. O presidente Donald Trump também confirmou publicamente que o acordo é bilateral entre Washington e Teerã, sem abranger o front libanês.

Reação do Irã e risco de rompimento

O governo iraniano reagiu com dureza. O presidente Masoud Pezeshkian afirmou que o cessar-fogo foi rompido, citando ataques a ilhas iranianas (Lavan e Siri) e a continuidade dos bombardeios israelenses no Líbano. Como resposta imediata, o Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz, principal rota de escoamento de petróleo, contrariando o principal compromisso do acordo.

Fontes oficiais iranianas indicam que Teerã pode abandonar completamente a trégua caso Israel não interrompa as ações no Líbano. O Hezbollah, aliado de longa data do Irã, anunciou uma pausa temporária em seus ataques contra Israel em respeito ao cessar-fogo EUA-Irã, mas a ofensiva israelense de hoje reacendeu as tensões.

Da escalada

Desde 2 de março de 2026, os confrontos no Líbano já causaram mais de 1.500 mortes e milhares de feridos, com mais de 1,2 milhão de deslocados. A ONU, França e vários países árabes expressaram preocupação com a fragilidade do acordo e pediram que todas as partes evitem novas escaladas.

A situação permanece extremamente volátil. Negociações diretas entre americanos e iranianos estão previstas para começar na sexta-feira (10) em Islamabad, mas a confiança entre as partes já foi abalada nas primeiras horas da trégua.


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