Em um momento de tensão global exacerbada pela guerra entre EUA/Israel e Irã, a senadora democrata Jeanne Shaheen (D-NH), membro sênior do Comitê de Relações Exteriores do Senado, intensificou suas críticas à administração Trump nesta quarta-feira, 11 de março de 2026. Em uma declaração divulgada durante uma audiência virtual sobre segurança internacional, Shaheen afirmou que "a Rússia está fazendo tudo o que pode para minar os Estados Unidos, mas Donald Trump e sua administração não fazem nada para pressionar Vladimir Putin".
Essa acusação vem no rastro de revelações recentes sobre o aprofundamento da cooperação militar entre Moscou e Teerã, incluindo o compartilhamento de táticas de drones testadas na Ucrânia para aprimorar ataques iranianos contra ativos americanos e aliados no Golfo Pérsico.
A declaração de Shaheen ecoa preocupações crescentes no Capitólio sobre a estratégia dos EUA em relação à Rússia, especialmente após um relatório da inteligência ocidental vazado à CNN, que detalha como especialistas russos estão transferindo know-how operacional para operadores iranianos de drones Shahed-136. Esses dispositivos, adaptados e massificados pela Rússia como "Geran" durante sua invasão à Ucrânia, agora representam uma ameaça mais sofisticada às defesas aéreas no Oriente Médio, incluindo saturação de radares e manobras de evasão que complicam interceptações por sistemas como Patriot e THAAD.
Fontes indicam que essa assistência visa não apenas sustentar o Irã no conflito iniciado em 28 de fevereiro, mas também distrair recursos americanos da frente ucraniana, onde Moscou continua a pressionar por ganhos territoriais apesar de negociações estagnadas.
No contexto do 12º dia de hostilidades, com explosões em Qom e ataques navais no Estreito de Ormuz elevando os preços do petróleo para além de US$ 110 por barril, Shaheen argumentou que a inação de Trump permite que Putin explore divisões ocidentais. "Rússia conta com o Irã para distrair os Estados Unidos da Ucrânia", escreveu ela em um artigo de opinião publicado no Washington Post na véspera, demandando uma resposta firme, incluindo novas sanções e maior suporte à Ucrânia para contrabalançar a influência russa.
Críticos republicanos rebateram, alegando que a administração foca em "vitórias rápidas" no Irã, mas democratas como Shaheen insistem que ignorar Putin enfraquece a credibilidade americana globalmente.
Essa não é a primeira vez que Shaheen critica Trump por leniência com o Kremlin. Em 2025, ela condenou prazos "falsos" impostos a Putin para encerrar a guerra na Ucrânia, acusando o presidente de permitir que o líder russo "embarace" os EUA ao ignorar linhas vermelhas sem repercussões.
Agora, com o conflito iraniano servindo como um novo teatro para rivalidades proxy, analistas veem risco de escalada: a Ucrânia, ironicamente, está exportando sua expertise em contramedidas anti-drones para o Golfo, enquanto Moscou reforça Teerã com inteligência satelital e doutrina tática.
O Pentágono minimizou a cooperação russo-iraniana como "suporte consultivo", sem evidências de direção direta por Moscou, mas admitiu monitoramento intensificado. Enquanto negociações indiretas via Omã prosseguem, a declaração de Shaheen destaca uma divisão partidária interna nos EUA, potencialmente impactando o apoio congressional a operações militares no Oriente Médio.
Com o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz afetando suprimentos globais e ameaças iranianas a infraestruturas financeiras no Golfo, como visto em ataques recentes a Dubai, a pressão por uma postura mais agressiva contra Putin pode ganhar tração entre moderados.
Essa dinâmica reflete um xadrez geopolítico complexo, onde o Irã serve como pivô para potências revisionistas como Rússia e China, testando os limites da hegemonia americana sob Trump. Sem uma resposta unificada, o conflito corre o risco de se prolongar, com custos humanitários e econômicos crescentes – mais de 500 mortes reportadas só nos últimos dias, e economias dependentes do petróleo enfrentando inflação persistente.
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