Washington, 28 de março de 2026 — Sob o lema “No Kings” (Sem Reis), dezenas de milhares de americanos — e, segundo organizadores, milhões em todo o país — tomaram as ruas neste sábado em uma das maiores ondas de protestos contra o presidente Donald Trump desde o início de seu segundo mandato. A mobilização, a terceira do movimento desde o ano passado, reuniu eventos em grandes metrópoles como Nova York, Los Angeles, Washington e Portland, mas também em pequenas cidades rurais e suburbanas, totalizando mais de 3.100 atos planejados. O ponto alto ocorreu no Capitólio Estadual de St. Paul, em Minnesota, onde o cantor Bruce Springsteen subiu ao palco para entoar sua canção de protesto “Streets of Minneapolis”, escrita em resposta às mortes de Renée Good e Alex Pretti durante operações federais de imigração.
Os organizadores, uma coalizão de grupos ativistas como Indivisible, 50501 e sindicatos, descreveram o dia como uma demonstração clara de que “o poder pertence ao povo, não a reis ou bilionários”. Cartazes com frases como “Trump quer reinar como tirano” e “Não ao rei” eram comuns, enquanto faixas denunciavam o endurecimento da política de imigração, o custo de vida em alta (com gasolina a preços recordes) e a escalada militar no Irã, que já provocou baixas americanas e impactos econômicos graves no transporte e na energia.
Em Minnesota, o estado escolhido como sede do “flagship rally” (ato principal nacional), a multidão lotou o gramado do Capitólio. Springsteen, que lançou “Streets of Minneapolis” em janeiro após os incidentes fatais com agentes do ICE, dedicou a performance às vítimas e aos moradores locais. A letra da música narra os confrontos nas ruas da cidade, criticando o que chama de “exército particular do Rei Trump” e homenageando Renée Good, mãe de três filhos e cidadã americana, e Alex Pretti, enfermeiro, ambos mortos por tiros de agentes federais durante uma operação de enforcement no início de 2026. Testemunhas e vídeos de câmeras de segurança contradizem versões oficiais iniciais, segundo relatos de familiares e ativistas, gerando investigações em curso e revolta local que se espalhou nacionalmente.
“Esta cidade resistiu ao fogo e ao gelo sob as botas de um ocupante. Vocês mostraram ao resto do país que ainda somos a América”, disse Springsteen ao público, segundo transmissões ao vivo. O lineup em St. Paul ainda contou com figuras como o senador Bernie Sanders, o governador Tim Walz, a deputada Ilhan Omar e ativistas como Jane Fonda.
O contexto dos protestos é marcado por tensões acumuladas. As operações intensas do ICE e do CBP em áreas como Minnesota resultaram em milhares de prisões, mas também em confrontos e as duas mortes citadas, que críticos classificam como excessos de força. Paralelamente, a guerra com o Irã — iniciada ou escalada em fevereiro — gerou críticas por seu custo humano e econômico, com protestos destacando o risco de escalada regional e o impacto nos preços de combustível. Pesquisas recentes indicam queda na aprovação de Trump, influenciada por esses temas, embora o presidente mantenha base fiel entre eleitores que veem as ações como cumprimento de promessas de segurança fronteiriça e liderança internacional forte.
Protestos semelhantes ocorreram em cidades europeias, como Roma e Madri, e até em Amsterdã, mostrando repercussão internacional. Em Tennessee, por exemplo, 14 cidades sediaram atos pacíficos com milhares de participantes; na Carolina do Norte, o foco foi na oposição à guerra no Irã e a ameaças a outros países como Venezuela.
Para os organizadores, o dia representa mais que descontentamento: é uma afirmação constitucional de que protestos pacíficos são ferramenta legítima de pressão democrática. “Não estamos aqui para derrubar instituições, mas para lembrar que ninguém está acima da lei — nem mesmo o presidente”, afirmaram em comunicado no site oficial do movimento.
A administração Trump, por sua vez, não emitiu comentário imediato sobre os protestos, mas fontes próximas destacam que as políticas de imigração e o posicionamento firme contra o Irã contam com apoio de eleitores que priorizam segurança nacional. O movimento “No Kings” promete continuar, com possíveis impactos nas eleições de meio de mandato em novembro.
O dia transcorreu majoritariamente pacífico, com poucas exceções isoladas reportadas, reforçando o direito de expressão em uma nação polarizada.
.jpg)

Não deixe de comentar, sua opinião faz a diferença aqui no Timecras!