Nos corredores da Conferência de Segurança de Munique (MSC), em fevereiro de 2026, o secretário de Defesa britânico John Healey reuniu-se com ministros da Defesa de nações bálticas e nórdicas para discutir medidas mais duras contra a evasão de sanções russas. O foco principal: a possibilidade de apreender petroleiros da chamada "frota sombra" russa, independentemente da bandeira que exibam.
Força Expedicionária Conjunta em ação
A Joint Expeditionary Force (JEF), composta por dez países — Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca, Islândia, Estônia, Letônia, Lituânia e Países Baixos — tem como prioridade a segurança no Atlântico Norte e no Mar Báltico.
Durante o encontro paralelo à MSC, realizado em 13 e 14 de fevereiro, Healey e seus homólogos avaliaram opções militares conjuntas para interceptar navios que transportam petróleo russo, contornando o teto de preços imposto pelo G7 e sanções ocidentais.
A frota sombra russa
A frota sombra é estimada em centenas de navios, muitos deles antigos e com propriedade opaca. Para ocultar vínculos com Moscou, utilizam bandeiras de conveniência como Panamá ou Ilhas Cook.
Esses petroleiros exportam óleo principalmente para China, Índia e Turquia, garantindo receitas essenciais para financiar a guerra na Ucrânia, que se aproxima de quatro anos.
Apesar de quedas recentes nas receitas russas de petróleo (cerca de 24–27%), a frota continua ativa, com dezenas de passagens mensais por rotas sensíveis como o Canal da Mancha e o Mar Báltico.
Operações em estudo
As discussões incluem:
- Apreensão conjunta de navios com base em violações de sanções ou riscos ambientais.
- Venda do petróleo confiscado para financiar apoio à Ucrânia.
- Uso de forças especiais, como os Royal Marines, em operações de alto risco.
Precedentes já existem: em janeiro de 2026, os EUA, com apoio britânico, capturaram o tanker Marinera (ex-Bella 1) no Atlântico Norte, e a França interceptou outro navio no Mediterrâneo.
O ministro da Defesa estoniano Hanno Pevkur resumiu o clima:
"Precisamos ser mais proativos. Países que concedem bandeiras a esses navios devem saber que medidas podem ser tomadas."
Escalada marítima
Embora nenhuma apreensão imediata pelo JEF tenha sido anunciada, o encontro sinaliza uma nova frente no conflito híbrido contra Moscou.
Analistas destacam o risco de incidentes em áreas de tráfego intenso como o Mar do Norte e o Báltico, onde a infraestrutura crítica — como cabos submarinos — já preocupa governos europeus.
Essa iniciativa reflete o endurecimento europeu em 2026: de monitoramento passivo para intervenções ativas, em um momento em que a Ucrânia e aliados buscam enfraquecer a sustentabilidade da invasão russa.
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