No cenário atual das relações internacionais, uma tendência se torna cada vez mais evidente: as grandes potências utilizam sua força para ditar regras aos países mais frágeis. A lógica do poder, que parecia ter sido suavizada pela criação de organismos multilaterais como a ONU, volta a se mostrar dominante.
O poder dos impérios modernos
Os Estados Unidos e a Rússia, cada um à sua maneira, exemplificam esse novo imperialismo. Washington recorre à sua supremacia econômica e militar para garantir acesso a mercados, rotas estratégicas e a segurança de aliados. Moscou, por sua vez, aposta em sua capacidade energética e bélica para manter influência sobre vizinhos e desafiar o Ocidente.
Governos fracos, com instituições frágeis ou em crise, tornam-se alvos fáceis. Dependentes de ajuda externa ou incapazes de resistir a pressões, acabam cedendo espaço para intervenções que se apresentam como “cooperação” ou “proteção”, mas que na prática significam perda de soberania.
Exemplos históricos e atuais
- EUA no Oriente Médio: desde a Guerra do Iraque em 2003 até a presença militar contínua em países estratégicos, os Estados Unidos justificam suas ações como defesa da democracia ou combate ao terrorismo, mas na prática asseguram acesso a petróleo e influência geopolítica.
- Rússia na Ucrânia: a invasão de 2022 e os ataques contínuos até hoje mostram como Moscou usa a força militar para tentar reconstituir sua esfera de influência, ignorando tratados internacionais e a soberania ucraniana.
- Intervenções indiretas: tanto EUA quanto Rússia utilizam sanções econômicas, apoio a grupos políticos locais e campanhas de desinformação como ferramentas de pressão, sem necessidade de ocupação direta.
O impacto nos mais fracos
Essa dinâmica não é nova, mas ganha contornos mais agressivos em um mundo marcado por guerras regionais, disputas econômicas e crises climáticas. O resultado é um ciclo perverso: os fortes consolidam sua posição, enquanto os fracos veem sua margem de manobra desaparecer.
O que está em jogo não é apenas território ou recursos, mas a própria ideia de autodeterminação. Quando o poder se sobrepõe ao direito, a ordem internacional se transforma em um tabuleiro onde os mais fracos são peças descartáveis.
O futuro da ordem mundial
Com negociações multilaterais cada vez mais fragilizadas e a ascensão de novas potências como China e Índia, o equilíbrio global se torna ainda mais complexo. A disputa entre EUA e Rússia não é apenas bilateral: ela abre espaço para que outros atores também explorem a vulnerabilidade dos mais fracos.
Enquanto isso, populações inteiras continuam pagando o preço da geopolítica, enfrentando guerras, crises humanitárias e perda de soberania. O “novo imperialismo” não se apresenta com bandeiras coloniais, mas com drones, sanções e tratados assimétricos.
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