Na manhã desta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, a região sul da Itália foi palco de uma ação criminosa digna de filme de ação. Um grupo de pelo menos oito homens fortemente armados, identificados como narcoterroristas, tentou assaltar um carro-forte (furgone portavalori) da empresa Battistolli (BTV) na superstrada SS 613, que liga as cidades de Brindisi e Lecce, na Puglia, próximo ao trevo de Tuturano.
Os criminosos montaram uma emboscada sofisticada: posicionaram um caminhão atravessado na pista, incendiaram o veículo para criar uma barreira de fogo e forçaram a parada do blindado. Em seguida, espalharam pregos no asfalto, usaram sirenes falsas em carros para se passar por policiais e detonaram explosivos contra o furgone, gerando uma densa nuvem de fumaça visível em vídeos que viralizaram nas redes sociais. Vestidos com tutes brancas e pretas, rostos cobertos e equipados com fuzis Kalashnikov e espingardas, os assaltantes dispararam tiros intimidadores para o alto e contra o veículo.
Apesar da violência, o roubo foi parcialmente frustrado: o sistema de segurança do carro-forte (como espuma expansiva que bloqueia o cofre) ativou-se, impedindo o acesso total ao dinheiro transportado.
A resposta policial veio rápida e decisiva dos Carabinieri — a principal força de gendarmeria da Itália. Fundados em 1814 (antes mesmo da unificação italiana), os Carabinieri formam o quarto ramo das Forças Armadas Italianas, subordinados ao Ministério da Defesa, mas atuam no policiamento civil, investigações criminais, combate ao crime organizado e operações de alto risco em todo o país. Diferente da Polizia di Stato (polícia civil mais urbana), os Carabinieri têm presença forte no interior, usam farda escura com faixa branca no chapéu e contam com poder de fogo elevado — exatamente o que foi necessário nesse caso.
Ao chegarem ao local, os Carabinieri iniciaram uma troca de tiros intensa com os fugitivos. Houve perseguição pelas estradas do norte do Salento, com os bandidos abandonando veículos e, em um momento dramático, roubando um carro de uma estudante que ia para um exame em Lecce. Um projétil atravessou uma viatura policial (uma “gazzella”), mas sem feridos graves entre agentes, vigilantes ou civis. Dois suspeitos, ambos da província de Foggia, foram presos em uma operação coordenada nas áreas de Campi Salentina, Guagnano e San Donaci. Os demais integrantes do grupo seguem foragidos.
As autoridades investigam possíveis conexões com a criminalidade organizada típica do sul italiano, como máfias locais. A hipótese de ligação com o narcotráfico fortalece a classificação dos criminosos como narcoterroristas, dada a violência empregada e o poderio bélico utilizado. O Sindicato Independente dos Carabinieri (Sic) aproveitou o episódio para alertar o governo sobre a escalada de violência em assaltos a transportes de valores e a necessidade de mais equipamentos para os agentes.
A rodovia ficou interditada por horas para perícia, remoção de veículos queimados e investigações. O caso reacende debates sobre a segurança nas estradas italianas e o crescente poderio de fogo das quadrilhas na região.
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