Delegações trilaterais reúnem-se na Suíça em meio a ataques russos maciços contra infraestrutura energética ucraniana; expectativas são baixas, mas foco recai sobre territórios ocupados e garantias de segurança.
Genebra, Suíça – 17 de fevereiro de 2026
As delegações da Ucrânia, Rússia e Estados Unidos iniciaram nesta terça-feira a terceira rodada de negociações trilaterais mediadas por Washington, com o objetivo de avançar rumo a um cessar-fogo sustentável e ao fim da guerra que completa quatro anos na próxima semana. As conversas, realizadas a portas fechadas no Hotel Intercontinental, devem se estender até quarta-feira e marcam a primeira ocasião em solo europeu ocidental desde que a administração Trump assumiu o papel central de mediadora.
Posições em disputa
- Ucrânia: liderada por Rustem Umerov, insiste na restauração das fronteiras de 1991 ou, no mínimo, garantias robustas de segurança contra novas agressões russas.
- Rússia: representada por Vladimir Medinsky e altos oficiais, exige reconhecimento de controle sobre Crimeia e regiões anexadas, além de demandas adicionais no Donbas.
- Estados Unidos: enviados Steve Witkoff e Jared Kushner reforçam a pressão de Trump para acelerar um acordo até junho de 2026, mesmo diante de críticas de Kiev sobre concessões territoriais.
Escalada militar paralela
Na véspera das negociações, forças russas lançaram um ataque maciço com mísseis e drones contra a infraestrutura energética ucraniana, deixando milhares de civis sem aquecimento e eletricidade. Zelensky denunciou o episódio como tentativa de pressão psicológica e pediu sanções mais duras e maior fornecimento de armas defensivas.
Histórico das conversas
As duas rodadas anteriores, realizadas em Abu Dhabi, foram consideradas “construtivas”, mas não produziram avanços substanciais. O formato trilateral, sem presença direta de aliados europeus, reflete a estratégia de Trump de buscar resoluções rápidas e bilaterais, reduzindo o envolvimento da OTAN.
Expectativas e riscos
Apesar de algum otimismo cauteloso, analistas avaliam que as chances de um avanço imediato são baixas. O Kremlin mantém exigências de neutralidade ucraniana e desmilitarização parcial, enquanto Kiev teme que concessões territoriais fragilizem sua soberania e incentivem futuras agressões.
Com o quarto aniversário da invasão em grande escala se aproximando, Genebra se torna palco de uma janela crítica — mas frágil — para a diplomacia em meio a uma guerra de atrito.
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