Intelligence Online levanta suspeita sobre pilotos estrangeiros operando na Ucrânia

TimeCras
Roberto Farias
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Publicação especializada em inteligência alega formação secreta de esquadrão misto para defesa aérea sobre Kiev, mas Força Aérea Ucraniana classifica a informação como infundada.

Contexto e alegações

Em meio à escalada contínua de ataques russos com mísseis de cruzeiro e drones de longo alcance contra a infraestrutura ucraniana, uma reportagem publicada pela newsletter francesa Intelligence Online — referência em assuntos de inteligência, defesa e contratos militares — trouxe à tona uma alegação sensível: a existência de um esquadrão de caças F-16 operado por uma tripulação mista de pilotos ucranianos, americanos e holandeses.

Segundo o artigo divulgado em 16 de fevereiro de 2026, a unidade teria sido montada sob sigilo estrito, com foco principal na proteção do espaço aéreo da região de Kiev (Kyiv Oblast). Os pilotos ocidentais — descritos como veteranos da Força Aérea dos Estados Unidos com experiência em missões no Afeganistão e Oriente Médio, além de aviadores holandeses formados em escolas de elite europeias — estariam atuando para interceptar vetores russos de alta ameaça, como os mísseis Kalibr, Kh-101 e os drones Geran-5 (versão modernizada dos Shahed iranianos).



Detalhes operacionais

A publicação afirma que esses profissionais estrangeiros operam sob contratos temporários, geralmente de seis meses renováveis, sem ocupar cargos oficiais nas Forças Armadas Ucranianas. O objetivo seria acelerar a transferência de know-how da OTAN, especialmente no uso de sensores avançados como o pod de designação laser Sniper, da Lockheed Martin — tecnologia que os pilotos ucranianos ainda estariam dominando de forma incompleta devido ao curto tempo de treinamento.

O relatório também sugere que essa configuração reflete uma lacuna crítica: o programa acelerado de conversão para os F-16, iniciado em 2024 com apoio de Dinamarca, Holanda e outros aliados, não teria conseguido formar pilotos ucranianos em número e proficiência suficientes para explorar todo o potencial da aeronave em cenários de alta intensidade.

Repercussão internacional

A notícia repercutiu rapidamente em veículos internacionais e redes sociais, com republicações em múltiplos idiomas e análises que apontam para um possível aprofundamento do envolvimento indireto da OTAN no conflito — sem, contudo, configurar participação oficial de tropas ativas da aliança.

Negação oficial

No dia 17 de fevereiro, o porta-voz da Força Aérea Ucraniana, coronel Yuriy Ignat, negou categoricamente a existência de qualquer esquadrão multinacional de combate com F-16. Em declaração divulgada via redes sociais, Ignat classificou a reportagem como “rumor sem provas” e reiterou que todas as missões de voo com F-16 são executadas exclusivamente por pilotos militares ucranianos.

A postura oficial de Kiev segue a linha adotada desde o início do conflito: evitar qualquer narrativa que possa ser interpretada como prova de envolvimento direto de militares da OTAN, o que Moscou poderia usar como justificativa para escalada.

Implicações estratégicas

Independentemente da veracidade da alegação, o episódio evidencia desafios reais na integração dos F-16 à defesa aérea ucraniana. Entregues em lotes progressivos por Holanda, Dinamarca e outros parceiros, as aeronaves representam um salto qualitativo em relação aos MiG-29 e Su-27 soviéticos, mas exigem domínio de sistemas complexos, coordenação com radares e AWACS ocidentais, e táticas adaptadas a um ambiente saturado de defesas antiaéreas russas.

Se confirmada, a presença de pilotos contratados veteranos poderia ser vista como uma solução pragmática para preencher lacunas operacionais sem cruzar linhas vermelhas políticas. Caso se trate de desinformação ou exagero, reforça o padrão recorrente de vazamentos seletivos em um conflito marcado pela guerra de informação.

Até o momento, não surgiram evidências visuais ou declarações adicionais que corroborem ou desmintam de forma definitiva o relato. A situação permanece fluida, e novos desdobramentos podem alterar o cenário rapidamente.


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