Quando os EUA agem como a Rússia: a crise da Groenlândia e o futuro da OTAN

TimeCras
Roberto Farias
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A recente declaração da primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, de que um ataque dos Estados Unidos contra a Groenlândia significaria o fim da OTAN, acendeu um alerta global. O episódio não é apenas sobre um território estratégico no Ártico, mas sobre o rumo da política internacional e a forma como Washington vem se comportando — cada vez mais comparada às práticas da Rússia de Vladimir Putin.

🌍 A disputa pela Groenlândia

  • A Groenlândia, território autônomo sob soberania dinamarquesa, possui vastos recursos minerais e uma posição geopolítica crucial no Ártico.
  • Donald Trump já havia manifestado interesse em “comprar” ou anexar a ilha durante seu primeiro mandato, e voltou a insistir na ideia.
  • Para a Dinamarca, qualquer tentativa de anexação ou ataque seria uma violação direta da soberania nacional e da confiança entre aliados.

⚖️ EUA e Rússia: paralelos inquietantes

A comparação entre EUA e Rússia não é gratuita. Ambos têm adotado posturas que desafiam a ordem internacional:

  • Unilateralismo: decisões tomadas sem consulta a aliados ou organismos multilaterais.
  • Uso da força: a Rússia na Ucrânia e os EUA em operações como na Venezuela mostram disposição em impor objetivos militares.
  • Esferas de influência: Moscou reivindica domínio sobre vizinhos; Washington age de forma semelhante ao tentar expandir sua presença no Ártico e na América Latina.
  • Realismo de poder: ambos abandonam a lógica cooperativa e reforçam a ideia de que “força é direito”.

🔎 Diferenças que ainda importam

Apesar das semelhanças, há distinções fundamentais:

  • Os EUA continuam sendo uma democracia liberal, enquanto a Rússia é um regime autoritário.
  • A economia americana é globalizada e interdependente, enquanto a russa depende fortemente de energia e recursos naturais.
  • A OTAN ainda conta com os EUA, mas a confiança está em risco.

📉 Impactos para a ordem internacional

  • Europa: teme que os EUA se tornem tão imprevisíveis quanto a Rússia, minando a segurança coletiva.
  • OTAN: um ataque contra a Groenlândia seria visto como a destruição da aliança.
  • América Latina: a lógica de “esferas de influência” pode aumentar a pressão sobre países da região, incluindo o Brasil.
  • Ártico: a disputa por recursos e rotas marítimas pode transformar a região em novo epicentro de tensões globais.

Conclusão

A fala da premiê dinamarquesa não é apenas um alerta sobre a Groenlândia, mas um aviso sobre o futuro da política internacional. Se os EUA continuarem a agir como a Rússia, o mundo pode testemunhar o colapso da ordem liberal construída após a Segunda Guerra Mundial. O desafio agora é saber se os aliados terão força para conter essa guinada e preservar a cooperação multilateral.


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