OTAN : Rutte reforça: Ucrânia deve ser a prioridade absoluta da Europa, não a Gronelândia

TimeCras
Roberto Farias
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Em meio a tensões transatlânticas sobre o controle da ilha ártica, o chefe da Aliança Atlântica alerta para o risco de desvio de foco da guerra na Ucrânia, que ameaça a segurança coletiva do Ocidente.

Davos, Suíça – 21 de janeiro de 2026.
Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, fez uma declaração enfática ao defender que a guerra da Rússia contra a Ucrânia continua sendo a ameaça mais urgente à segurança europeia e transatlântica, superando qualquer outra controvérsia geopolítica do momento, incluindo o imbróglio em torno da Gronelândia.

“É um risco que nos concentremos demais na Gronelândia, pois precisamos resolver essa questão de forma amigável. Mas o problema principal não é a Gronelândia. O problema principal agora é a Ucrânia”, afirmou Rutte em painel de discussão sobre defesa europeia.

O ex-primeiro-ministro holandês enfatizou que o apoio a Kiev não pode ser diluído por distrações:

“O foco na Ucrânia deve ser nossa prioridade número um. Deve ser Ucrânia em primeiro lugar, porque é crucial para a segurança da Europa e dos Estados Unidos. Depois disso, podemos discutir todos os outros assuntos, incluindo a Gronelândia”.

Contexto geopolítico

A declaração surge em meio a crescente atrito entre Washington e aliados europeus. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, tem pressionado por maior influência — ou até aquisição — da Gronelândia, território autônomo da Dinamarca estrategicamente vital no Ártico. O movimento reacendeu debates sobre soberania, recursos e presença militar na região polar.

A França chegou a propor exercícios militares da OTAN na ilha, sinalizando preocupação com avanços russos e chineses no Ártico.

Defesa do Ártico e foco na Ucrânia

Rutte reconheceu a necessidade de fortalecer a defesa do Ártico de forma coletiva, mas alertou que o momento exige unidade em torno da Ucrânia. Ele destacou os ataques russos contínuos à infraestrutura energética ucraniana em meio ao rigoroso inverno, reforçando que:

“As forças ucranianas precisam de nosso apoio agora, amanhã e depois de amanhã”, incluindo sistemas de defesa aérea e equipamentos militares.

Coesão da Aliança Atlântica

A posição do secretário-geral da OTAN reflete uma tentativa de manter a coesão da aliança em um período de múltiplos desafios. Enquanto negociações de paz e pacotes de ajuda europeus — como o de €90 bilhões recentemente acordado — avançam, Rutte expressou preocupação de que o debate sobre a Gronelândia possa desviar recursos e atenção da frente principal contra a agressão russa.

Especialistas em relações internacionais veem na fala de Rutte um chamado à disciplina estratégica: priorizar a contenção da Rússia na Europa Oriental é essencial para preservar a credibilidade da OTAN e evitar que Moscou explore divisões internas no Ocidente.

Repercussão internacional

A declaração foi amplamente repercutida em veículos internacionais e reforça a linha da aliança de que a vitória da Ucrânia — ou ao menos sua capacidade de resistir — permanece o pilar fundamental da segurança euro-atlântica.


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