Em meio a tensões transatlânticas sobre o controle da ilha ártica, o chefe da Aliança Atlântica alerta para o risco de desvio de foco da guerra na Ucrânia, que ameaça a segurança coletiva do Ocidente.
“É um risco que nos concentremos demais na Gronelândia, pois precisamos resolver essa questão de forma amigável. Mas o problema principal não é a Gronelândia. O problema principal agora é a Ucrânia”, afirmou Rutte em painel de discussão sobre defesa europeia.
O ex-primeiro-ministro holandês enfatizou que o apoio a Kiev não pode ser diluído por distrações:
“O foco na Ucrânia deve ser nossa prioridade número um. Deve ser Ucrânia em primeiro lugar, porque é crucial para a segurança da Europa e dos Estados Unidos. Depois disso, podemos discutir todos os outros assuntos, incluindo a Gronelândia”.
Contexto geopolítico
A declaração surge em meio a crescente atrito entre Washington e aliados europeus. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, tem pressionado por maior influência — ou até aquisição — da Gronelândia, território autônomo da Dinamarca estrategicamente vital no Ártico. O movimento reacendeu debates sobre soberania, recursos e presença militar na região polar.
A França chegou a propor exercícios militares da OTAN na ilha, sinalizando preocupação com avanços russos e chineses no Ártico.
Defesa do Ártico e foco na Ucrânia
Rutte reconheceu a necessidade de fortalecer a defesa do Ártico de forma coletiva, mas alertou que o momento exige unidade em torno da Ucrânia. Ele destacou os ataques russos contínuos à infraestrutura energética ucraniana em meio ao rigoroso inverno, reforçando que:
“As forças ucranianas precisam de nosso apoio agora, amanhã e depois de amanhã”, incluindo sistemas de defesa aérea e equipamentos militares.
Coesão da Aliança Atlântica
A posição do secretário-geral da OTAN reflete uma tentativa de manter a coesão da aliança em um período de múltiplos desafios. Enquanto negociações de paz e pacotes de ajuda europeus — como o de €90 bilhões recentemente acordado — avançam, Rutte expressou preocupação de que o debate sobre a Gronelândia possa desviar recursos e atenção da frente principal contra a agressão russa.
Especialistas em relações internacionais veem na fala de Rutte um chamado à disciplina estratégica: priorizar a contenção da Rússia na Europa Oriental é essencial para preservar a credibilidade da OTAN e evitar que Moscou explore divisões internas no Ocidente.
Repercussão internacional
A declaração foi amplamente repercutida em veículos internacionais e reforça a linha da aliança de que a vitória da Ucrânia — ou ao menos sua capacidade de resistir — permanece o pilar fundamental da segurança euro-atlântica.
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