A crescente tensão geopolítica envolvendo Washington, Teerã e Caracas tem provocado um movimento coordenado de China e Rússia, que passaram a reafirmar publicamente seu apoio diplomático ao Irã e à Venezuela. As duas potências enxergam a intensificação das sanções e da presença militar dos Estados Unidos como um ponto de inflexão que exige resposta estratégica.
A China tem sido a voz mais direta nesse processo. Em declaração recente, o chanceler chinês Wang Yi afirmou que Pequim “se opõe a toda forma de assédio unilateral”, criticando a escalada militar americana no entorno da Venezuela. A fala ocorreu após uma ligação oficial com o ministro das Relações Exteriores venezuelano, Yvan Gil, em meio ao bloqueio de petroleiros imposto pelos EUA.
O movimento chinês não se limita à retórica. Pequim também rejeitou o que chamou de “sanções unilaterais ilícitas” e contestou a jurisdição extraterritorial aplicada por Washington contra países aliados de Caracas e Teerã. A mensagem é clara: a China não pretende aceitar passivamente a expansão da pressão americana.
A Rússia, por sua vez, tem sido acionada diretamente por Caracas. Segundo documentos citados pela imprensa internacional, Nicolás Maduro enviou pedidos formais de apoio militar a Moscou, incluindo cooperação aérea, manutenção de aeronaves e aquisição de sistemas de defesa, em resposta ao aumento da presença militar dos EUA no Caribe. O Kremlin, que já mantém parceria estratégica com o Irã e a Venezuela, vê na situação uma oportunidade de reforçar sua influência em regiões onde os EUA tradicionalmente exercem domínio.
O alinhamento entre China, Rússia, Irã e Venezuela não é novo, mas ganha intensidade à medida que Washington amplia sanções, pressiona economicamente e fortalece sua presença militar. Para Pequim e Moscou, o momento exige demonstrar que seus aliados não estão isolados — e que o tabuleiro geopolítico global está longe de ser unipolar.
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