Senador viajou com a esposa e as filhas após descumprir ordem judicial de entrega dos passaportes; governo Trump confirmou a concessão de vistos à família
Brasília, 28 de outubro de 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado na eleição presidencial de domingo (25), chegou aos Estados Unidos acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas. Na Flórida, ele se encontrou com o irmão, Eduardo Bolsonaro, segundo informações publicadas pelo SBT News e pela Record com base em fontes ligadas à família.
A viagem ocorreu após o parlamentar descumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o obrigava a entregar seus passaportes à Polícia Federal (PF) e o proibia de deixar o Brasil.
A saída do senador provocou repercussão política e diplomática. O governo dos Estados Unidos confirmou que concederá vistos a Flávio e aos familiares, enquanto informações divulgadas por aliados indicam que o parlamentar pretende fazer um pronunciamento público em Miami.
Viagem passou pela Argentina e pelo Equador
A saída do Brasil ocorreu na noite de terça-feira (27). Segundo informações da Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio Bolsonaro, a esposa e as duas filhas entraram no território argentino às 22h50, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na região de fronteira entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú.
Cerca de 40 minutos depois, o grupo embarcou em uma aeronave privada operada pela empresa Baires Fly, com destino a Guayaquil, no Equador.
Dados de rastreamento de voos citados pela imprensa indicaram que o avião pousou no Equador durante a madrugada de quarta-feira (28) e seguiu posteriormente para a Flórida.
A chegada aos Estados Unidos e o encontro com Eduardo Bolsonaro foram noticiados por veículos brasileiros com base em informações de fontes próximas aos envolvidos. A divulgação do trajeto internacional também permitiu reconstruir as etapas da viagem.
STF havia determinado a entrega dos passaportes
A viagem aconteceu depois de uma decisão judicial que impôs restrições à saída de Flávio Bolsonaro do país.
O ministro Alexandre de Moraes determinou que o senador entregasse os passaportes à Polícia Federal dentro do prazo estabelecido e proibiu sua saída do território brasileiro. Como os documentos não foram apresentados no período determinado, a PF cancelou os passaportes e informou que comunicaria o descumprimento ao ministro.
A ordem judicial foi adotada no contexto de investigações que envolvem suspeitas de lavagem de dinheiro. As medidas cautelares e seus fundamentos devem ser analisados conforme o conteúdo das decisões judiciais, sem antecipar conclusões sobre responsabilidade criminal.
O deslocamento pela Argentina e pelo Equador ocorreu depois da determinação do STF. A entrada da família na Argentina foi registrada pelas autoridades migratórias do país vizinho, enquanto o percurso da aeronave foi acompanhado por serviços de rastreamento aéreo.
Eventuais consequências jurídicas da saída do Brasil dependerão de novas manifestações e decisões das autoridades competentes. O cancelamento dos passaportes, por si só, não permite concluir que tenha sido decretada prisão preventiva.
Governo Trump confirma vistos para a família
O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou à Reuters e à CNN Brasil que emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e seus familiares, permitindo a entrada do grupo no território norte-americano.
A posição do governo dos Estados Unidos ganhou destaque porque a viagem aconteceu em meio a tensões políticas entre Brasília e Washington e após a derrota de Flávio no segundo turno presidencial.
O presidente Donald Trump manifestou apoio à entrada do senador nos Estados Unidos. A concessão de vistos, contudo, não equivale automaticamente à concessão de asilo político nem comprova a existência de uma operação especial de proteção.
Até o momento desta atualização, as informações disponíveis não permitiam afirmar que autoridades norte-americanas tenham organizado uma operação oficial de segurança para retirar o senador do Brasil.
Aliados dizem que Flávio está em segurança
Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro que atua nos Estados Unidos, afirmou à CNN Brasil que Flávio estava bem, em segurança e descansando com a família.
Figueiredo também informou que o senador deverá conceder uma entrevista coletiva em Miami na quinta-feira (29), com horário e local a serem divulgados.
A declaração oferece uma indicação sobre os próximos passos públicos do parlamentar, mas não constitui confirmação de que ele esteja sob proteção oficial do governo norte-americano.
A expectativa é que o senador possa se manifestar sobre a viagem, a situação jurídica no Brasil e seus planos políticos após a derrota eleitoral. Até a publicação desta matéria, não havia uma declaração pública detalhada de Flávio explicando todas as circunstâncias do deslocamento.
Investigações seguem no Brasil
Flávio Bolsonaro é alvo de investigações que apuram suspeitas de irregularidades financeiras. Uma delas envolve o advogado Willer Tomaz e possíveis operações relacionadas a lavagem de dinheiro em negócios ligados ao setor de apostas.
Outra apuração investiga suspeitas de irregularidades relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador já afirmou ter intermediado recursos para o projeto, mas as suspeitas investigadas não devem ser confundidas com culpa comprovada.
Os procedimentos estão sujeitos à análise das autoridades responsáveis, e a existência de uma investigação não representa condenação.
A permanência de Flávio nos Estados Unidos não encerra automaticamente os procedimentos brasileiros. A continuidade das apurações e a adoção de eventuais medidas judiciais dependerão dos elementos reunidos pelos investigadores e das decisões dos órgãos competentes.
O que a viagem representa para a oposição
A saída do senador surpreendeu integrantes de seu próprio campo político. Segundo a Reuters, Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha presidencial, afirmou não ter sido informado previamente sobre a viagem e esperava que Flávio liderasse a reorganização da oposição.
O episódio abre uma nova etapa de incerteza sobre a atuação política do senador. A distância do Brasil poderá influenciar sua participação em articulações partidárias, embora ainda não haja definição pública sobre quanto tempo permanecerá nos Estados Unidos ou como pretende conduzir suas atividades políticas.
A viagem também coloca em evidência questões institucionais: o alcance das decisões judiciais, o cumprimento de medidas cautelares, a concessão de vistos por outro país e os limites da atuação política de um parlamentar brasileiro no exterior.
As consequências dependerão tanto dos próximos passos judiciais quanto das decisões políticas de Flávio e das manifestações oficiais dos governos envolvidos.
Situação em 28 de outubro de 2026: a chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e seu encontro com Eduardo Bolsonaro foram noticiados por veículos brasileiros com base em fontes próximas à família. O governo norte-americano confirmou que concederá vistos ao senador e aos familiares. A existência de escolta oficial ou de asilo político não está comprovada pelas informações disponíveis.
Fontes consultadas: Reuters, Agência Brasil, SBT News, CNN Brasil, Record, Radioagência Nacional e Direção Nacional de Migrações da Argentina
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