Mulher avança com faca contra policiais em Pirituba e morre baleada; PM é preso em flagrante

TimeCras
Roberto Farias
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Câmeras registraram as ordens para que Camila Pereira da Silva largasse a faca antes do disparo fatal; DHPP investiga a ocorrência, e arma do policial foi apreendida


São Paulo (SP), 15 de outubro de 2026

Uma mulher identificada como Camila Pereira da Silva morreu após ser baleada por um policial militar durante uma ocorrência na região do Parque São Domingos, em Pirituba, na zona oeste de São Paulo, na tarde desta quinta-feira (15). Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ela se aproxima dos agentes segurando uma faca, mesmo após receber ordens para largar o objeto.

O policial que efetuou o disparo foi preso em flagrante e encaminhado ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que a arma utilizada pelo agente foi apreendida para perícia e que também foi instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM), acompanhado pela Corregedoria da Polícia Militar.

A ocorrência aconteceu em uma via da região de Pirituba, com relatos que apontam para a Avenida Mutinga e para a Rua Coronel José Rufino Freire. O endereço exato ainda precisa ser uniformizado com base nos registros oficiais.

Câmeras registram a abordagem e o disparo

As gravações divulgadas por veículos de imprensa mostram a mulher caminhando com uma faca na mão em direção aos policiais militares. Os agentes apontam suas armas e ordenam que ela solte o objeto.

Em determinado momento, a mulher continua avançando e afirma que não vai largar a faca, segundo a descrição das imagens publicada pelo UOL. Um dos policiais então efetua um disparo, e ela cai na rua.

A CNN Brasil informou que a mulher foi atingida na cabeça. O UOL também relatou ferimento na cabeça, enquanto outras descrições publicadas apresentam diferenças sobre a região atingida. A confirmação definitiva deverá considerar os registros periciais.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas a morte foi constatada no local.

As imagens permitem reconstruir parte da abordagem, mas não mostram necessariamente tudo o que ocorreu antes da chegada dos policiais. Por isso, o contexto da ocorrência, a distância entre os envolvidos e as condições exatas do disparo ainda precisam ser examinados pelos investigadores.

Três policiais participaram da ocorrência

Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, três policiais militares da Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) participaram da abordagem.

Relatos publicados pela imprensa indicam que moradores acionaram a PM por causa da presença de uma mulher armada com uma faca e de possíveis ameaças. O Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) informou ao SBT News que ainda não havia esclarecimento sobre o motivo de ela estar com a faca nem sobre as razões pelas quais não atendeu às ordens dos agentes.

A hipótese de que a mulher estivesse em surto aparece em diferentes reportagens, mas não foi apresentada, até o momento desta apuração, documentação médica que permita tratar essa condição como diagnóstico confirmado.

Também circulou a informação de que Camila seria moradora de Osasco e teria ido ao local para procurar um ex-companheiro. Essa versão foi publicada por um veículo local, mas não foi confirmada de forma independente por uma fonte oficial. Por esse motivo, não é possível estabelecer a motivação da presença dela na região.

Policial é preso; investigação criminal e militar são abertas

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que o policial responsável pelo disparo foi preso em flagrante e encaminhado ao DHPP, encarregado de investigar todas as circunstâncias do caso.

A pasta também comunicou a abertura de um Inquérito Policial Militar, sob acompanhamento da Corregedoria da PM. A área foi preservada até a chegada das equipes do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal (IML), e a arma utilizada pelo agente foi apreendida para análise pericial.

A SSP declarou que não tolera desvios de conduta e que as circunstâncias da ocorrência serão investigadas.

A prisão em flagrante não representa uma condenação nem determina, isoladamente, se a conduta do agente foi legal ou ilegal. A investigação deverá reunir as imagens, os depoimentos dos policiais e das testemunhas, os registros operacionais e os resultados das perícias.

Até a última atualização consultada, não havia confirmação independente de uma decisão judicial posterior à prisão ou de uma conclusão oficial sobre a responsabilidade criminal do policial.

Uso da força será um dos pontos centrais da apuração

A investigação deverá esclarecer se o disparo ocorreu diante de uma ameaça concreta e iminente à vida, quais eram as possibilidades de reação disponíveis ao policial e se havia condições seguras para empregar outros meios de contenção.

As gravações mostram a mulher avançando com uma faca e as ordens dos policiais para que ela largasse o objeto. Esses elementos são relevantes para avaliar a dinâmica da abordagem, mas não substituem a análise integral das circunstâncias.

Também será necessário verificar se havia equipamentos de menor potencial ofensivo disponíveis, se poderiam ser utilizados com segurança e quais protocolos foram aplicados. A ausência de imagens de uma tentativa de uso desses equipamentos, por si só, não permite concluir que a ação foi ilegal.

A apuração deverá considerar tanto o risco que uma pessoa armada com uma faca pode representar quanto a obrigação dos agentes públicos de utilizar a força dentro dos limites legais, com necessidade e proporcionalidade.

Caso ocorre após outras mortes em ações policiais na capital

A morte de Camila ocorre em meio a questionamentos sobre outras duas ocorrências fatais envolvendo policiais militares na cidade de São Paulo.

Em 3 de outubro, Antonio Nunes Batista, de 40 anos, morreu após ser atingido por 24 disparos na região da Brasilândia. Em outra ocorrência, em Moema, Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, foi atingido por 27 tiros, segundo informações divulgadas pela imprensa.

A Ouvidoria da Polícia de São Paulo pediu apuração rigorosa dos dois casos anteriores e solicitou informações sobre os procedimentos investigativos e a preservação das imagens das câmeras corporais.

Os episódios têm circunstâncias próprias e precisam ser investigados separadamente. Ainda assim, a sequência de mortes aumenta a importância da transparência nas investigações, da análise dos protocolos de abordagem e da fiscalização do uso da força por agentes públicos.

Investigação deverá esclarecer as circunstâncias da morte

O caso de Pirituba permanece sob investigação do DHPP, com procedimento paralelo na esfera militar. A análise das imagens, dos depoimentos e dos laudos deverá ajudar a esclarecer a dinâmica da ocorrência e a legalidade do disparo.

Até que os órgãos responsáveis concluam a apuração, não é possível afirmar definitivamente se houve legítima defesa ou excesso policial. Também permanecem sem confirmação independente alguns detalhes sobre a motivação da presença da mulher no local e seu estado de saúde antes da abordagem.

O esclarecimento desses pontos será fundamental para determinar as circunstâncias da morte e eventuais responsabilidades.


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