Presidente americano diz que instalação subterrânea próxima a Natanz pode ser atingida “muito em breve”; Washington pressiona por inspeções internacionais e novas medidas contra Teerã
Brasília, 4 de setembro de 2026 — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar nesta sexta-feira (4) um possível ataque contra a Montanha Pickaxe, uma estrutura subterrânea localizada nas proximidades do complexo nuclear de Natanz, no Irã.
Trump afirmou que os Estados Unidos podem atingir o local “muito em breve”, recolocando a instalação no centro da crise envolvendo Washington e Teerã. Até o momento, porém, não há confirmação de que um novo ataque americano contra Pickaxe Mountain tenha ocorrido.
A ameaça surge em um momento de pressão simultaneamente militar, econômica e diplomática sobre o Irã. Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha também estão tentando aprovar uma medida na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para encaminhar a questão iraniana ao Conselho de Segurança da ONU.
Uma instalação construída para resistir a ataques
Pickaxe Mountain, também conhecida pelo nome Kuh-e Kolang Gaz La, fica a cerca de dois quilômetros do complexo nuclear de Natanz.
O local possui estruturas subterrâneas profundamente enterradas e fortificadas. Segundo a Reuters, existem dois complexos de túneis na área, característica que dificulta significativamente uma eventual operação aérea.
A instalação começou a ser construída antes da atual fase do conflito e passou a receber atenção internacional devido à sua proximidade com Natanz e à possibilidade de utilização para atividades relacionadas ao programa nuclear iraniano.
Imagens de satélite permitiram identificar entradas de túneis e obras de infraestrutura, mas não permitem determinar sozinhas o que atualmente existe no interior do complexo.
A questão das centrífugas permanece sem confirmação independente
Uma das principais suspeitas envolvendo Pickaxe Mountain é a possibilidade de que o Irã tenha transferido equipamentos relacionados ao enriquecimento de urânio para os túneis.
Autoridades israelenses e americanas já afirmaram que avaliações de inteligência indicam que centrífugas podem ter sido deslocadas para a instalação. Há relatos de que seriam milhares de equipamentos.
Essa informação, entretanto, não foi confirmada publicamente de forma independente.
Essa distinção é importante porque o acesso internacional ao local permanece limitado. Sem inspeções diretas, não é possível estabelecer publicamente a quantidade ou a natureza dos equipamentos existentes dentro da montanha.
Trump aumenta a pressão sobre Teerã
A ameaça desta sexta-feira representa mais um capítulo de uma série de declarações de Trump sobre a instalação.
O presidente americano já havia mencionado Pickaxe Mountain como possível alvo e afirmou anteriormente que Washington poderia destruir a estrutura caso considerasse necessário impedir a reconstrução da capacidade nuclear iraniana.
Agora, a nova ameaça ocorre depois de meses de ataques e retaliações entre os dois países.
Trump também procurou minimizar a dimensão do conflito nesta sexta-feira, chamando-o de “small potatoes”, expressão que pode ser traduzida como “fichinha” ou “algo pequeno”, e classificando a situação como um conflito militar, em vez de uma guerra em grande escala.
Apesar da retórica de Trump, a crise já produziu consequências militares e econômicas significativas.
AIEA entra novamente no centro da crise
Enquanto Trump ameaça uma nova ação militar, Washington e seus principais aliados europeus estão pressionando por uma resposta diplomática.
Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha apresentaram uma proposta para que o conselho da AIEA avance no processo de encaminhamento da questão iraniana ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.
A iniciativa está relacionada à falta de cooperação de Teerã com as inspeções internacionais e à dificuldade dos inspetores de verificar o destino de materiais nucleares após os ataques contra instalações iranianas.
A AIEA estima que o Irã possuía 440,9 quilos de urânio enriquecido a até 60% antes dos ataques. Esse nível ainda não corresponde ao grau normalmente utilizado para uma arma nuclear, mas o material poderia ser enriquecido posteriormente a concentrações mais elevadas.
Teerã afirma que seu programa nuclear possui finalidade pacífica.
Por que destruir Pickaxe seria tão difícil?
A principal dificuldade para os Estados Unidos está na própria geografia.
A estrutura foi construída dentro da montanha, protegida por grandes volumes de rocha. Isso significa que um ataque aéreo convencional teria dificuldades para atingir diretamente as áreas mais profundas.
A localização também aumenta a incerteza sobre o resultado de uma eventual operação.
Mesmo que os Estados Unidos consigam atingir entradas ou partes do complexo, não existe garantia pública de que toda a infraestrutura subterrânea seria destruída.
Esse fator ajuda a explicar por que Pickaxe Mountain se tornou um dos alvos mais sensíveis mencionados por Trump.
Um ataque poderia ampliar o conflito
Uma ofensiva contra a instalação poderia provocar uma resposta iraniana.
Teerã poderia tentar atingir forças americanas, Israel ou instalações e interesses de países aliados de Washington na região.
O risco também se estende ao Golfo Pérsico.
A atual crise já afetou o tráfego marítimo e aumentou a pressão sobre o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas internacionais para o transporte de petróleo e gás. O conflito continua produzindo impactos sobre energia, comércio e cadeias de abastecimento.
Uma nova rodada de ataques poderia elevar ainda mais esses riscos.
Washington também prepara o pós-guerra
Enquanto Trump mantém a possibilidade de novos ataques, sua administração já trabalha em uma estratégia para o Oriente Médio depois do conflito.
Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira, autoridades americanas estão elaborando um plano destinado a conter o Irã e reorganizar as relações regionais após o encerramento da guerra. O projeto ainda está em desenvolvimento e não representa uma política definitiva.
A preparação mostra que Washington começa a pensar não apenas em como atingir o programa nuclear iraniano, mas também em como reorganizar o equilíbrio de poder na região.
O que está confirmado neste momento
Até esta sexta-feira (4), quatro pontos podem ser estabelecidos com segurança:
1. Trump afirmou que os EUA podem atacar Pickaxe Mountain “muito em breve”.
2. A instalação é uma estrutura subterrânea fortificada localizada próxima a Natanz.
3. Existem avaliações de inteligência sobre possível presença ou transferência de equipamentos relacionados ao programa nuclear iraniano, mas essas informações não foram verificadas publicamente de forma independente.
4. Não há confirmação, até o momento desta publicação, de que um novo ataque americano tenha atingido Pickaxe Mountain.
Uma decisão com consequências muito maiores
A Montanha Pickaxe tornou-se um dos símbolos da nova fase da crise nuclear iraniana.
Para Washington, o local representa a possibilidade de o Irã preservar ou reconstruir capacidades subterrâneas depois dos ataques contra suas principais instalações nucleares.
Para Teerã, uma ofensiva contra a montanha poderia ser interpretada como uma tentativa de eliminar definitivamente sua infraestrutura nuclear e poderia desencadear uma nova reação militar.
O próximo movimento de Trump, portanto, poderá ter consequências muito além de Pickaxe Mountain.
Se os Estados Unidos realmente atacarem a instalação, a operação poderá representar uma nova escalada no conflito. Se a ameaça for utilizada principalmente como instrumento de pressão, Washington ainda terá espaço para tentar combinar a força militar com a diplomacia.
Por enquanto, a Montanha Pickaxe permanece sob ameaça, mas não há confirmação de que tenha sido atacada nesta sexta-feira.
A crise continua dividida entre duas frentes: de um lado, a possibilidade de uma nova operação militar americana; de outro, a tentativa de Washington e seus aliados de pressionar o Irã por meio da AIEA e das instituições internacionais.
O que acontecer nas próximas horas poderá determinar se a crise avançará para uma nova fase de ataques ou se haverá espaço para uma negociação capaz de impedir uma escalada ainda maior.
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