Colapso de geleira provocou uma avalanche de gelo, rochas e lama que devastou comunidades na fronteira com o Tibete; equipes de resgate continuam procurando sobreviventes
Rasuwa, Nepal — 26 de agosto de 2026 Atualização : 27/08 16:16
Uma gigantesca inundação provocada pelo colapso de uma geleira deixou pelo menos 392 mortos no Nepal e no Tibete e mais de 1.400 pessoas desaparecidas, segundo os balanços mais recentes divulgados nesta quinta-feira (27). A tragédia atingiu comunidades, estradas, pontes e estruturas de infraestrutura em uma extensa área da fronteira entre o Nepal e a China.
No Nepal, a polícia informou 389 mortos. No lado tibetano, três mortes foram confirmadas. O número de desaparecidos também continua sendo revisado: autoridades chinesas registram 558 pessoas desaparecidas em Gyirong, enquanto o Nepal contabiliza cerca de 910 desaparecidos em seu território.
Como as equipes ainda encontram vítimas e conseguem acessar áreas anteriormente isoladas, o balanço permanece em atualização.
Uma avalanche desencadeou a catástrofe
A principal explicação para o desastre é o colapso de uma geleira nas montanhas do Himalaia, que desencadeou uma enorme avalanche de gelo, rochas e sedimentos.
A massa atingiu o rio Lhende Khola, provocando o represamento temporário da água. A barreira formada pelos detritos acabou liberando uma quantidade gigantesca de água e lama, que avançou pelos rios Bhote Koshi e Trishuli em direção às áreas mais baixas.
A correnteza atingiu comunidades inteiras com velocidade e força suficientes para destruir casas, veículos, pontes e estradas.
O evento inicialmente chegou a ser associado a um possível terremoto, mas essa interpretação foi posteriormente revista. As informações mais recentes apontam o colapso glacial e o movimento de gelo e rochas como o mecanismo responsável pelo desastre.
Centenas de estrangeiros estão desaparecidos
A tragédia atingiu uma importante rota utilizada por turistas, trekkers e peregrinos que seguem em direção ao Monte Kailash, no Tibete.
Entre os desaparecidos estão cidadãos de dezenas de países. A Reuters informa que, entre os estrangeiros desaparecidos no Nepal, estão 288 indianos, 63 americanos, 51 malaios, 34 australianos, 33 britânicos e 25 canadenses.
A situação provocou preocupação internacional, principalmente entre familiares que ainda aguardam informações sobre parentes que viajavam pela região.
O Conselho de Turismo do Nepal também trabalha na identificação de centenas de turistas que perderam contato após a inundação.
Resgate enfrenta enormes dificuldades
O trabalho das equipes de emergência está sendo prejudicado pela destruição da infraestrutura.
Estradas e pontes foram destruídas ou ficaram soterradas por toneladas de lama e pedras, deixando comunidades isoladas. Em algumas áreas, os socorristas precisam utilizar helicópteros para localizar sobreviventes e transportar vítimas e suprimentos.
Mais de 5 mil militares e policiais nepaleses participam das operações de busca e resgate. Helicópteros também estão sendo utilizados para retirar moradores e turistas das regiões mais afetadas.
No lado chinês, as equipes enfrentam dificuldades semelhantes para chegar a Gyirong, onde o posto de fronteira foi severamente destruído.
Existe risco de uma nova inundação
Mesmo após a passagem da primeira onda, o perigo ainda não terminou.
Autoridades do Nepal e da China alertaram para o risco de novas inundações provocadas pelo acúmulo de água em áreas represadas por detritos.
No lado nepalês, um lago formado pelo bloqueio do rio Bhotekoshi continua aumentando. Na China, autoridades estimam que aproximadamente 3 milhões de metros cúbicos de água possam chegar a outro lago represado nos próximos dias.
Existe preocupação de que uma dessas barreiras naturais se rompa, provocando uma nova onda de água e lama rio abaixo.
Infraestrutura foi devastada
A inundação destruiu importantes vias de transporte e estruturas utilizadas pelas comunidades locais.
Pontes desapareceram, estradas foram interrompidas e instalações de energia também foram atingidas. A destruição dificulta não apenas o resgate, mas também a chegada de alimentos, água, medicamentos e outros materiais essenciais.
O desastre também atingiu uma rota estratégica entre o Nepal e o Tibete, prejudicando atividades comerciais e turísticas.
Mudanças no clima aumentam a preocupação
O desastre reacende o alerta sobre a vulnerabilidade das geleiras do Himalaia.
O aumento das temperaturas favorece o derretimento do gelo e pode contribuir para a instabilidade de encostas e massas glaciais. Especialistas afirmam que esse processo pode aumentar o risco de avalanches, deslizamentos e inundações repentinas em regiões montanhosas.
A preocupação é especialmente grande no Nepal, onde comunidades e importantes rotas de transporte estão localizadas em vales estreitos, próximos aos rios.
Buscas continuam
As equipes de emergência continuam percorrendo rios, áreas cobertas por lama e comunidades destruídas em busca de sobreviventes e desaparecidos.
O número de mortos e desaparecidos ainda poderá aumentar. A diferença entre os balanços divulgados por diferentes autoridades e agências ocorre porque as informações são atualizadas conforme novos corpos são encontrados e pessoas são localizadas.
Até o momento, o quadro mais recente aponta para 392 mortos e mais de 1.400 desaparecidos entre Nepal e Tibete.
A prioridade das autoridades agora é encontrar sobreviventes, recuperar vítimas, retirar moradores de áreas de risco e impedir que novas rupturas de água represada provoquem uma segunda tragédia.
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