São Paulo confirma primeiros casos de Febre do Nilo Ocidental; entenda o mosquito que transmite a doença

TimeCras
Roberto Farias
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Dois casos foram confirmados no estado; Santa Catarina registrou uma morte. Vírus é transmitido principalmente por mosquitos do gênero Culex, conhecidos como pernilongos


São Paulo e Santa Catarina — 24 de agosto de 2026 | 20:40h

São Paulo confirmou nesta segunda-feira (24) os dois primeiros casos humanos de Febre do Nilo Ocidental registrados no estado. Os diagnósticos foram confirmados por exames laboratoriais realizados pelo Instituto Adolfo Lutz. As autoridades de saúde ainda investigam os locais prováveis onde os pacientes foram infectados.

Os casos envolvem uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, que já se recuperou, e uma jovem de 18 anos, de São José do Rio Preto, que permanece internada. Segundo as informações divulgadas, a paciente de Ribeirão Preto tinha histórico recente de viagem à região amazônica. 

A confirmação em São Paulo ocorreu no mesmo dia em que Santa Catarina confirmou dois casos da doença e registrou uma morte. A vítima era uma mulher de 77 anos, moradora de Imbituba. Um homem de 56 anos, de Caçador, também foi diagnosticado e recebeu alta.

O mosquito que transmite a Febre do Nilo Ocidental

A Febre do Nilo Ocidental é causada por um arbovírus cuja principal forma de transmissão ocorre pela picada de mosquitos infectados do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos. 

O ciclo da doença envolve principalmente aves silvestres e mosquitos. O mosquito se infecta quando pica uma ave que carrega o vírus. Depois que o vírus se multiplica no organismo do inseto, uma nova picada pode permitir a transmissão para seres humanos ou outros animais.

Isso significa que o mosquito não é a origem do vírus. Ele funciona como vetor, transportando o agente infeccioso entre seus hospedeiros.

As aves silvestres têm papel fundamental nesse ciclo porque funcionam como principais hospedeiras e amplificadoras do vírus. Os mosquitos, por sua vez, podem adquirir o vírus ao se alimentar do sangue dessas aves infectadas. 

O Culex é o mesmo mosquito da dengue?

Não. Embora também seja um mosquito e possa transmitir doenças, o Culex é diferente do Aedes aegypti, principal transmissor de dengue, zika e chikungunya no Brasil.

O Culex é conhecido popularmente como pernilongo ou muriçoca e possui hábitos diferentes. A Febre do Nilo Ocidental está associada principalmente a mosquitos desse gênero que participam do ciclo envolvendo aves silvestres.

A presença de mosquitos Culex, entretanto, não significa automaticamente que exista circulação do vírus em determinada região. Para que haja transmissão, é necessário que os insetos estejam infectados.

Como o vírus chega às pessoas?

O ser humano geralmente entra no ciclo da doença de forma acidental. O mosquito infectado pica uma pessoa e transmite o vírus.

As pessoas não são consideradas importantes amplificadoras do vírus porque, em geral, a quantidade de vírus presente no sangue humano não é suficiente para manter o ciclo de transmissão por mosquitos.

A transmissão direta entre pessoas não é a forma habitual de disseminação. Existem, porém, situações raras envolvendo transfusão de sangue, transplante de órgãos, transmissão da mãe para o bebê e aleitamento, segundo informações médicas disponíveis.

Quais são os sintomas?

A maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas. Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 20% dos infectados desenvolvem manifestações, geralmente leves. 

Entre os sintomas podem aparecer:

  • febre;
  • dor de cabeça;
  • mal-estar;
  • náuseas e vômitos;
  • dores musculares;
  • dor nos olhos;
  • manchas na pele;
  • aumento dos gânglios.

Em uma parcela muito pequena dos casos, a infecção pode atingir o sistema nervoso e provocar encefalite, meningite e outras complicações neurológicas graves.

Não existe vacina para humanos

Atualmente, não existe vacina de uso humano nem tratamento antiviral específico contra a Febre do Nilo Ocidental. O tratamento é baseado no controle dos sintomas e das complicações que eventualmente surgirem. 

Por isso, a principal forma de prevenção é evitar a picada do mosquito.

O uso de repelente, roupas que cubram braços e pernas, telas em portas e janelas e medidas para eliminar possíveis criadouros de mosquitos estão entre as principais recomendações.

Também é importante reduzir a exposição aos mosquitos nos períodos de maior atividade dos insetos.

Casos em São Paulo ainda estão sob investigação

As autoridades paulistas ainda investigam os locais prováveis de infecção dos dois pacientes. Essa informação será importante para determinar se existe circulação local do vírus ou se os pacientes foram infectados em outras regiões.

O caso de Ribeirão Preto envolve uma paciente que esteve recentemente na região amazônica. Já a jovem de São José do Rio Preto não teria histórico semelhante, segundo as informações divulgadas até o momento. 

A investigação epidemiológica deverá ajudar a identificar possíveis áreas de circulação do vírus e orientar as medidas de vigilância.

O que a população precisa saber

A confirmação dos primeiros casos humanos em São Paulo não significa que o estado esteja enfrentando uma epidemia. No entanto, o registro reforça a necessidade de vigilância epidemiológica e de cuidados para evitar picadas.

O principal alerta é para pessoas que apresentem febre associada a sintomas neurológicos, como confusão mental, tremores, fraqueza, convulsões ou alteração de consciência. Nesses casos, a orientação é procurar atendimento médico.

A Febre do Nilo Ocidental já havia sido registrada anteriormente no Brasil. O primeiro caso humano brasileiro foi identificado em 2014, no Piauí, e outros estados já tiveram registros da doença. 


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