Pernambuco prepara novo sistema para monitorar tubarões no Grande Recife

TimeCras
Roberto Farias
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Imagem Ilustrativa

Projeto científico prevê marcação de 50 tubarões e instalação de receptores acústicos para acompanhar o deslocamento dos animais no litoral pernambucano


Recife (PE), 24 de agosto de 2026

Pernambuco está prestes a iniciar um novo programa científico para monitorar a movimentação de tubarões no litoral do Grande Recife. O projeto pretende acompanhar os deslocamentos dos animais por meio de transmissores acústicos implantados em exemplares capturados durante ações de pesca científica.

A iniciativa é conduzida pelo projeto ECOTUBA, ligado à Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e prevê a marcação de 50 tubarões ao longo de dois anos. A primeira saída-piloto está prevista para 4 de setembro, com o início da operação programado para o dia seguinte.

A proposta surge em uma região que historicamente registra ocorrências envolvendo tubarões e busca ampliar o conhecimento científico sobre o comportamento dos animais, suas rotas e a permanência em determinadas áreas do litoral.

Receptores serão instalados no fundo do mar

O sistema terá inicialmente 10 receptores acústicos instalados no fundo do oceano. Esses equipamentos serão responsáveis por registrar a passagem dos tubarões que estiverem equipados com transmissores.

Cada receptor poderá detectar um animal marcado em um raio aproximado de um quilômetro. Os dados coletados permitirão aos pesquisadores reconstruir os deslocamentos dos animais e identificar padrões de permanência e circulação.

O monitoramento abrangerá aproximadamente 33 quilômetros de litoral, entre a Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, e a Praia do Farol, em Olinda.

O investimento informado para o projeto é de aproximadamente R$ 1,052 milhão.

Como os tubarões serão monitorados

Os pesquisadores utilizarão técnicas de pesca científica para capturar os animais que serão incluídos no estudo. Depois da captura, cada tubarão passará por avaliações biológicas e procedimentos de coleta de sangue e tecido.

No caso das fêmeas, também poderá ser realizado exame de ultrassom.

Após os procedimentos, um transmissor acústico será implantado no animal antes de sua devolução ao mar. Quando o tubarão passar próximo de um dos receptores instalados no fundo do oceano, o equipamento registrará sua presença.

Os pesquisadores poderão posteriormente analisar os dados para determinar quando e onde os animais monitorados estiveram, permitindo estudar seus deslocamentos ao longo do tempo.

Sistema não funcionará como alerta imediato

Apesar de representar um avanço no acompanhamento científico dos tubarões, o novo sistema não deve ser confundido com um radar capaz de avisar os banhistas em tempo real sobre a aproximação de um animal.

Os receptores registram as informações dos tubarões marcados, e os dados precisam ser posteriormente recuperados e analisados pelos pesquisadores. Além disso, apenas animais que receberam transmissores poderão ser acompanhados pelo sistema.

A principal finalidade, portanto, é produzir conhecimento científico sobre o comportamento dos tubarões e contribuir para estudos relacionados à segurança e à gestão ambiental do litoral.

Região enfrenta histórico de ataques

A implantação do programa ocorre em meio à preocupação com ataques de tubarões no litoral pernambucano.

Segundo informações divulgadas sobre o projeto, três ataques foram registrados em Pernambuco em 2026, incluindo um caso fatal em Olinda e outros dois episódios nas praias de Piedade e Boa Viagem. Nos casos em que as vítimas sobreviveram, houve ferimentos graves e amputações.

O histórico de ocorrências tornou o litoral do Grande Recife uma das regiões brasileiras mais acompanhadas quando o assunto é interação entre seres humanos e tubarões.

A expectativa dos pesquisadores é que o monitoramento ajude a compreender melhor quais espécies frequentam determinadas áreas, quais rotas utilizam e em que condições permanecem próximas à costa.

Ciência pode ajudar na prevenção

Um dos principais objetivos do projeto é transformar informações sobre o comportamento dos animais em dados que possam contribuir para políticas públicas e estratégias de prevenção.

Ao identificar padrões de deslocamento, horários de maior presença e áreas frequentadas pelos tubarões monitorados, os pesquisadores poderão ampliar o conhecimento disponível para órgãos responsáveis pela segurança das praias e pela conservação da fauna marinha.

O programa também poderá contribuir para compreender fatores ambientais que influenciam a aproximação dos animais da costa.

Um sistema para entender o mar

O novo monitoramento não significa que os tubarões serão retirados das praias nem que todos os animais presentes na região poderão ser rastreados. O sistema será direcionado aos exemplares marcados e servirá principalmente como uma ferramenta científica de longo prazo.

A expectativa é que, com a ampliação do número de animais monitorados e a acumulação de dados, seja possível construir um mapa mais preciso dos deslocamentos dos tubarões no litoral do Grande Recife.

Para uma região que convive com episódios de interação entre tubarões e banhistas, o conhecimento produzido pelo projeto poderá se tornar uma ferramenta importante para ciência, conservação ambiental e prevenção de acidentes.


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