Ancine libera registro de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, em meio a investigações

TimeCras
Roberto Farias
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 Imagem Ilustrativa IA

Brasília, 24 de agosto de 2026 — A Agência Nacional do Cinema (Ancine) concedeu o Registro de Obra Estrangeira (ROE) ao filme Dark Horse, produção ficcional inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. O registro foi concedido em 7 de agosto e representa uma das etapas necessárias para que o longa possa avançar no processo de lançamento comercial no Brasil. 

A decisão ocorre enquanto a produção está no centro de investigações sobre sua realização e sobre a origem dos recursos utilizados no projeto. A concessão do registro, entretanto, não representa uma conclusão da Ancine sobre essas investigações nem significa autorização definitiva para a estreia.

Registro é apenas uma etapa

O pedido inicial para o registro foi apresentado em junho. Posteriormente, a Europa Filmes passou a figurar como responsável pela distribuição nacional, e o longa recebeu o título de “O Azarão” para o mercado brasileiro. Ainda não existe uma data oficial definida para a estreia.

Para chegar aos cinemas, a produção ainda precisa cumprir outras etapas regulatórias, incluindo a obtenção do Certificado de Registro de Título (CRT).

A diferença é importante: o ROE permite o enquadramento da obra estrangeira perante a agência, enquanto o CRT está relacionado à exploração comercial do título no país. Portanto, a decisão anunciada pela Ancine não significa que o filme já esteja liberado para exibição comercial.

Filme retrata trajetória de Bolsonaro

Dark Horse é uma produção cinematográfica ficcional baseada na trajetória política de Jair Bolsonaro, com foco especialmente na campanha presidencial de 2018.

O ex-presidente é interpretado pelo ator norte-americano Jim Caviezel. O filme é dirigido por Cyrus Nowrasteh e tem participação de nomes brasileiros no elenco e na produção.

A obra ganhou grande repercussão política antes mesmo de seu lançamento, principalmente por abordar a ascensão de Bolsonaro à Presidência da República.

Ancine também apura possíveis irregularidades

A concessão do registro acontece paralelamente a um procedimento administrativo da própria Ancine relacionado à produção.

A agência apura uma denúncia de que as filmagens realizadas no Brasil não teriam sido comunicadas previamente conforme as exigências aplicáveis a uma produção estrangeira. Segundo informações divulgadas sobre o processo, a eventual infração pode resultar em multa, que pode variar de R$ 2 mil a R$ 100 mil

A existência do procedimento administrativo, porém, não significa que a produtora tenha sido definitivamente condenada por irregularidades. O processo ainda precisa seguir seus trâmites.

Polícia Federal também investiga a produção

O filme passou a ser alvo de uma investigação da Polícia Federal relacionada à origem e à utilização dos recursos empregados na produção.

Nesta segunda-feira (24), a PF solicitou à Ancine informações sobre o registro, a produção, o financiamento e as pessoas e empresas envolvidas no projeto. A agência recebeu prazo para fornecer os dados solicitados. 

A investigação federal também busca esclarecer suspeitas relacionadas ao possível uso indevido de emendas parlamentares no financiamento do filme. Parlamentares citados nas apurações negam que recursos públicos tenham sido utilizados na produção. 

STF autoriza compartilhamento de informações

Outro desdobramento ocorreu no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Flávio Dino autorizou a Polícia Federal a acessar dados obtidos em uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo envolvendo a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme.

A investigação paulista apura possíveis irregularidades relacionadas a contratos públicos envolvendo o Instituto Conhecer Brasil, organização ligada à produtora. As informações poderão ser utilizadas pela PF em sua própria apuração.

As investigações são independentes da decisão administrativa da Ancine de conceder o registro ao filme.

O que acontece agora

Com o ROE concedido, Dark Horse avançou em uma etapa importante para sua eventual distribuição no Brasil. Ainda assim, o longa precisa cumprir os procedimentos restantes antes de chegar oficialmente ao circuito comercial.

Ao mesmo tempo, continuam as apurações sobre a produção, incluindo questões administrativas e financeiras. Até o momento, as investigações não estabelecem como fato comprovado que recursos públicos tenham financiado o filme de maneira irregular.

A situação coloca a produção em uma posição incomum: enquanto avança burocraticamente para uma possível estreia no Brasil, também permanece sob investigação de órgãos públicos.

O próximo passo será a conclusão das exigências regulatórias e a definição, pela distribuidora, de uma eventual data de lançamento.

Em resumo

  • Filme: Dark Horse
  • Título no Brasil: O Azarão
  • Tema: trajetória política de Jair Bolsonaro
  • Registro: concedido pela Ancine em 7 de agosto de 2026
  • Distribuição no Brasil: Europa Filmes
  • Estreia: ainda sem data oficial
  • Investigação: Ancine e Polícia Federal apuram questões distintas relacionadas à produção
  • Situação: registro concedido, mas outras etapas regulatórias ainda são necessárias


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