Cartum (Sudão) – O governo sudanês, liderado pelo Exército, acusou nesta segunda-feira (4) os Emirados Árabes Unidos e a Etiópia de envolvimento direto no ataque com drones que atingiu o Aeroporto Internacional de Cartum e outras áreas estratégicas da capital. A denúncia foi divulgada pela agência estatal SUNA, ampliando a tensão internacional em meio ao conflito que já dura mais de três anos.
Segundo autoridades locais, os drones atingiram pontos próximos ao aeroporto e alvos militares em Omdurman, cidade vizinha. Parte dos projéteis foi interceptada pelas defesas antiaéreas, mas houve impactos que causaram danos à infraestrutura e pânico entre moradores. Até o momento, não há confirmação oficial de vítimas.
Acusações diretas
O governo sudanês afirma que os drones foram lançados a partir de território etíope, especialmente da região próxima ao aeroporto de Asosa, na fronteira. Já os Emirados Árabes Unidos são acusados de fornecer tecnologia, armamento avançado e apoio logístico às Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar que combate o Exército desde abril de 2023.
Essa não é a primeira vez que Cartum responsabiliza Abu Dhabi e Addis Abeba. O Sudão já rompeu relações diplomáticas com os Emirados, levou denúncias ao Conselho de Segurança da ONU e chegou a acusar o país árabe de cumplicidade em genocídio no Tribunal Internacional de Justiça — alegações negadas pelos EAU.
Da guerra
O conflito interno opõe o Exército regular (SAF) às RSF e já provocou dezenas de milhares de mortes, além de mais de 14 milhões de deslocados internos, configurando uma das maiores crises humanitárias do mundo.
Nos últimos meses, o uso de drones por ambos os lados intensificou-se, aumentando o número de vítimas civis. O Aeroporto Internacional de Cartum, que passava por reparos para retomar voos domésticos, teve novamente sua reabertura adiada.
Especialistas apontam que a guerra sudanesa se tornou um conflito “proxy”, com potências regionais disputando influência, rotas comerciais no Mar Vermelho e recursos naturais. Egito e Arábia Saudita tendem a apoiar o Exército, enquanto os Emirados são frequentemente acusados de sustentar as RSF. A Etiópia, por sua vez, é suspeita de oferecer espaço logístico.
Reações e desdobramentos
Até o fechamento desta reportagem, nem Etiópia nem Emirados haviam se pronunciado sobre as acusações. Analistas alertam que o episódio pode agravar ainda mais as relações já frágeis no Chifre da África.
O Exército sudanês prometeu uma resposta “dura e proporcional”, reafirmando o direito de defender a soberania nacional “por todos os meios necessários”. A ONU e organizações humanitárias acompanham com preocupação o aumento do uso de drones, que já causou centenas de mortes de civis somente neste ano.
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