Manobras de três dias, que incluem lançamentos reais de mísseis e coordenação com a Bielorrússia, são apresentadas como treino de resposta a “ameaça de agressão”. Analistas veem componente político no timing das ações.
Moscou, 19 de maio de 2026
O Ministério da Defesa da Rússia anunciou e deu início nesta terça-feira a um amplo exercício de preparação e uso de forças nucleares, com duração de três dias. As manobras mobilizam mais de 64 mil militares, milhares de unidades de equipamento e elementos estratégicos das forças armadas russas, incluindo submarinos nucleares e lançadores de mísseis balísticos.
De acordo com o comunicado oficial, o exercício envolve as Forças de Mísseis Estratégicos, a Aviação de Longo Alcance, a Frota do Norte, a Frota do Pacífico e unidades dos distritos militares de Leningrado e Central. Estão previstos lançamentos reais de mísseis balísticos e de cruzeiro em polígonos russos. Participam ainda mais de 7.800 unidades de equipamento militar, mais de 200 lançadores de mísseis, mais de 140 aeronaves, 73 navios de superfície e 13 submarinos — dos quais oito são submarinos nucleares estratégicos capazes de lançar mísseis balísticos intercontinentais.
Objetivo declarado
Treinar a “preparação e o uso de forças nucleares em caso de ameaça de agressão”. Pela primeira vez de forma explícita, o exercício inclui treinamento conjunto com a Bielorrússia para o emprego de armas nucleares não estratégicas (táticas) estacionadas em território bielorrusso.
Contexto e timing das manobras
O anúncio ocorre em um momento de elevada tensão.
- A Ucrânia intensificou ataques com drones de longo alcance contra alvos militares e energéticos em território russo.
- Drones desviados por interferência eletrônica russa têm ativado alertas antiaéreos na Letónia e na Estónia, elevando a preocupação na fronteira leste da NATO.
- As manobras coincidem com a viagem de Vladimir Putin à China, onde deve se encontrar com Xi Jinping.
Analistas interpretam o exercício como um duplo sinal:
- Técnico-militar: manter a prontidão das forças estratégicas.
- Político: reforçar a dissuasão nuclear diante do apoio ocidental à Ucrânia.
Reações internacionais
- A NATO e a Ucrânia qualificaram as manobras como “retórica nuclear irresponsável” e forma de chantagem.
- Países bálticos e Polônia reforçam a necessidade de maior investimento em defesa aérea e dissuasão convencional.
- Especialistas em controle de armas alertam para o risco de cálculo equivocado em contexto de guerra convencional
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